Curitiba - A inflação começa a apresentar sinais de queda. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA-15) desacelerou para 0,53% em fevereiro, contra 0,65% de janeiro. Este índice é a prévia da inflação oficial, o IPCA, e foi divulgado ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O acumulado dos últimos 12 meses recuou de 6,44% - na pesquisa de janeiro - para 5,98% em fevereiro. No ano, o indicador tem variação de 1,18%. Em fevereiro de 2011, o IPCA-15 registrou alta de 0,97%.
A pesquisa faz o levantamento da inflação em 11 capitais. Em Curitiba, a inflação de fevereiro ficou em 0,24% contra os 0,61% de janeiro. No acumulado do ano, a inflação da Capital paranaense foi de 0,85% e, portanto, abaixo do índice nacional.
Para o presidente do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes), Gilmar Mendes Lourenço, este resultado preliminar é um indicativo que a inflação continua desacelerando e essa tendência deve persistir ao longo do ano. Ele acredita que Curitiba pode começar a apresentar índice abaixo da média nacional.
No ano passado, em abril, Curitiba chegou a ter a maior inflação do País no IPCA-15. Segundo ele, isso foi provocado pelo aumento da tarifa de água que subiu 16% neste mesmo mês e pelos reajustes das tarifas de ônibus municipal, metropolitano e estadual.
Ele acredita que a inflação oficial (IPCA) deve fechar o ano entre 4,5% e 5% e perto do centro da meta que é de 4,5%. No ano passado, o IPCA fechou no teto da meta em 6,5%. Para Lourenço, a queda dos preços internacionais com a acomodação dos valores da commodities deve refletir na inflação no Brasil. A principal explicação para isso é a crise que afeta a Europa e os Estados Unidos.
''Com a inflação menor, ocorre menos deterioriação do poder aquisitivo da população e aumenta o poder de compra'', disse. Além disso, com a inflação e os juros em queda, favorece o aumento dos investimentos por parte das empresas. No entanto, ele ressalta que a redução de juros precisa chegar os empresários e ao consumidor final.
O economista do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), Cid Cordeiro, acredita que a inflação pode ficar abaixo de 5% no final do ano e até atingir o centro da meta do governo federal. Ele prevê que, com a queda da inflação, há espaço para o Banco Central continuar reduzindo a taxa de juros.
No IPCA-15 nacional o grupo que mais impactou no indicador foi educação, com alta de 5,66%. Sazonalmente neste período do ano este setor pressiona os preços devido aos reajustes das mensalidades escolares e do material didático, que subiram 6,95%. O grupo despesas pessoais acelerou de 0,55% em janeiro para 1,07% em fevereiro.
O grupo alimentação e bebidas tirou parte da pressão exercida em 2011, ao desacelerar de 1,25% em janeiro para 0,29% em fevereiro. Os alimentos consumidos fora de casa ajudaram nesse comportamento de perda de ritmo (baixando de 1,47% para 0,65%). As carnes, de 2,03% para -2,10%, ficaram com -0,06 ponto percentual de impacto, a mais intensa para baixo.

Imagem ilustrativa da imagem IPCA-15 desacelera e registra 0,53% em fevereiro
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