IPC tem primeira deflação desde 49
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domingo, 03 de janeiro de 1999
Agência Estado 
1998 foi o ano da deflação. Os preços caíram entre 1,5% e 2%, de acordo com os cálculos do Índice de Preços ao Consumidor (IPC), da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), da Universidade de São Paulo (USP) . O número exato será conhecido nesta semana, quando o instituto divulga o índice da segunda quinzena de dezembro.
Foi a primeira variação anual negativa desde que o IPC começou a ser calculado, em 1949, mas pode se repetir este ano, na avaliação do coordenador do índice, Heron do Carmo. O índice deve ser menor do que em 98, mas a variação deve ser negativa de novo, diz.
Depois de anos de inflação mensal de dois dígitos e três anos e meio de taxas controladas, 98 inaugurou a deflação no Brasil. A redução dos preços, especialmente dos bens de consumo, já era esperada com a queda das vendas, mas o IPC foi negativo também em meses em que os preços deveriam subir, como novembro e dezembro.
Neste ano, a redução da atividade econômica também deve puxar os preços para baixo, embora não se espere uma queda acentuada porque as margens de lucro já estão deprimidas. Heron espera uma inversão na tendência de preços em relação ao que ocorreu no ano passado. Em 98, caíram os preços dos bens de consumo, enquanto as tarifas públicas aumentaram. Para este ano, ele espera recuperação dos preços de importados, por causa do encarecimento das importações, enquanto os preços dos serviços devem cair com a demanda menor.
Entre janeiro e novembro do ano passado, a deflação média foi de 1,11%, mas nem todos os itens tiveram redução de preço. A alimentação, que ajudou a manter a inflação em níveis reduzidos nos últimos anos, teve alta de 0,60% no período. A alimentação no domicílio subiu em média 0,90%. Já a alimentação fora de casa, que teve altas acentuadas no início do Plano Real, teve redução de 1,49%, refletindo a fuga dos clientes dos restaurantes e o esforço para trazer o público de volta.
Gastos com habitação caíram em média 0,92%, com a queda de 2,7% no aluguel. Em compensação, aumentaram as despesas com manutenção do domicílio (3,38%). O gás de botijão chegou a subir 19,4% nesses 11 meses. As despesas operacionais, que incluem condomínio, consertos e serviços domésticos, subiram 5,15%. Já os itens para equipar a casa tiveram redução dos preços. O preço dos aparelhos de imagem e som baixou 11,69%, a mobília teve redução de 8,9% e os equipamentos eletroeletrônicos de 4,33%. É justamente por causa dessa diferença entre os preços que sobem e os que caem, diz Heron, que os consumidores dizem não perceber a deflação.
Os preços que caem são os de bens duráveis, comprados eventuamente, e os que sobem são aqueles do dia-a-dia, mais facilmente percebidos pelas pessoas, diz. Outro exemplo dessa composição é a variação dos preços dos transportes. Na média, tiveram redução de 1,35%.


