IPC tem maior alta desde agosto de 2001: 1,01%
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quarta-feira, 04 de setembro de 2002
Agência Estado 
São Paulo A inflação na cidade de São Paulo medida pelo Índice de Preços ao Consumidor (IPC) da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), da USP, subiu para 1,01% am agosto, ante 0,67% no mês anterior. É a maior taxa desde agosto do ano passado, quando o índice teve variação de 1,15%.
Segundo o coordenador do IPC-Fipe, Heron do Carmo, o resultado ficou abaixo do previsto (1,15%), porque o governo tomou medidas para baixar o preço do gás de cozinha, adiou o reajuste dos combustíveis e reduziu o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) dos carros. Para setembro, ele prevê uma variação bem menor para o índice, em torno de 0,30%.
No mês passado, as tarifas de energia elétrica e de telefonia fixa responderam por mais da metade da inflação em São Paulo, variando 10,24% e 7,18%, respectivamente. Juntos, esses dois aumentos tiveram um impacto de 0,57 ponto porcentual de alta na variação do IPC, de 1,01%.
Até o mês passado, o índice da Fipe acumulou alta de 3,03% em 2002. Para o fechamento do ano, Heron mantém a previsão de inflação de 4,5%.
O que mais contribuiu para segurar a inflação em agosto foi o comportamento de alguns itens que dependem do governo. O preço da gasolina, por exemplo, teve queda média de 1,7%, enquanto o gás de cozinha registrou redução de 4,51% e a tarifa de ônibus teve variação negativa de 0,98%. O preço do automóvel zero quilômetro ficou em média 2,14% mais barato por causa da redução do IPI.
Dieese Os alimentos foram os vilões da inflação medida pelo Índice do Custo de Vida do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (ICV-Dieese) em agosto. No mês passado, o indicador fechou com alta de 0,40%, ante 1,34% em julho e os alimentos responderam por 0,38 ponto porcentual.
Exceto o feijão, cujo preço subiu 8,78% por causa da oferta menor, o aumento das cotações dos demais alimentos resultou no mês passado da pressão do dólar. A farinha de trigo subiu 7,04%; o pão francês, 5,32%; o óleo de soja e de milho, 6,64%; o frango, 3,29% e a carne bovina aumentou 3,75% em agosto.
''O resultado de agosto ficou dentro do previsto'', diz a coordenadora do ICV-Dieese, Cornélia Nogueira Porto. Para este mês, a perspectiva é de que o índice gire em torno de 0,10%. No ano, o indicador acumula alta de 4,68% e de 7,45% em 12 meses. A projeção da economista para 2002 está mantida em 8%.


