IPC-S volta a acelerar e sobe 1,18%
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terça-feira, 25 de janeiro de 2011
Alessandra Saraiva e<br>Anne Warth<br>Agência Estado 
Rio de Janeiro - A inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor - Semanal (IPC-S) voltou a acelerar. O indicador subiu 1,18% até a quadrissemana encerrada em 22 de janeiro (terceira prévia do mês), após avançar 1,06% no resultado anterior, referente à quadrissemana finalizada em 15 de janeiro. Os dados foram divulgados ontem pela Fundação Getúlio Vargas (FGV).
O resultado da terceira prévia de janeiro representa a maior taxa de variação do indicador desde a primeira semana de fevereiro de 2010, quando o índice avançou 1,33%. Das sete classes de despesa usadas para cálculo do IPC-S, cinco apresentaram acréscimos em suas taxas de variação de preços, da segunda para a terceira prévia do mês.
Aumentos mais intensos nos preços de Educação, Leitura e Recreação (de 2,43% para 2,98%) e de Transportes (de 1,49% para 2,08%) foram determinantes para a taxa maior do IPC-S no período. Em cada uma destas classes de despesa houve pressões de aumentos de preços importantes, que ajudaram a elevar a inflação no varejo. É o caso das acelerações nos preços de cursos formais (de 3,81% para 4,90%) e de tarifa de ônibus urbano (de 2,71% para 4,36%), que normalmente passam por reajustes no começo do ano. Outras três classes de despesa apresentaram aceleração de preços no mesmo período: Saúde e Cuidados Pessoais (de 0,50% para 0,52%), Habitação (de 0,22% para 0,24%) e Despesas Diversas (de 0,92% para 1,12%).
As duas classes de despesa restantes apresentaram desaceleração de preços: Alimentação (de 1,69% para 1,64%) e Vestuário (de 0,38% para 0,36%). Entre os produtos pesquisados pela FGV, as mais expressivas altas de preço foram apuradas em tarifa de ônibus urbano (4,36%), tomate (39,68%) e curso de ensino superior (3,32%). Já as mais expressivas quedas de preço foram registradas em limão (baixa de 25,28%), feijão carioquinha (recuo de 15,84%) e passagem aérea (queda de 7,92%).
Perspectivas
O economista da FGV, André Braz, afirmou que o IPC-S tende a desacelerar no mês de fevereiro. Para janeiro, ele estima uma taxa muito próxima da registrada em janeiro do ano passado, quando atingiu 1,29%, a maior marca desde a terceira quadrissemana de fevereiro de 2003 (1,55%).
De acordo com Braz, o índice está em linha com as expectativas da FGV, uma vez que, em janeiro, são esperados aumentos nas mensalidades escolares, tarifas de transporte público e alimentos in natura. ''Todos esses efeitos colocam a variação média do índice em janeiro em 1,18%, e é possível que não pare por aí'', afirmou Braz.
Segundo ele, as elevações dos ônibus ainda não foram plenamente captadas pelo indicador e é possível que o índice continue a avançar. ''É possível que a taxa se aproxime da registrada no ano passado, e pode ser até que a ultrapasse, dependendo das incertezas em relação aos alimentos in natura e da continuidade da desaceleração dos alimentos industrializados'', disse.
Para fevereiro, o economista acredita que a situação deve se inverter. Segundo ele, o aumento das tarifas de ônibus nas capitais brasileiras costuma ficar restrito ao mês de janeiro. Braz afirmou ainda que o comportamento dos alimentos in natura historicamente melhora em fevereiro.
''Apesar das incertezas em relação ao clima, é muito raro que aconteçam aumentos nesse grupo, que se caracteriza por lavouras curtas. Fevereiro deve registrar taxas bem mais baixas para o IPC-S'', afirmou. ''Prevemos, com mais segurança, uma desaceleração do índice em fevereiro, mas eu não estranharia se viesse uma queda.''


