Os efeitos do tarifaço, do aumento dos combustíveis e da geada, que puxaram a inflação no começo do semestre, deixaram de pressionar os índices em setembro. O Índice de Preços ao Consumidor (IPC) da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) ficou em 0,27%, após registrar 1,55% em agosto e 1,40% em julho.
No mês passado, a inflação foi causada em grande parte pelo aumento de alguns alimentos, principalmente do tomate e da batata, em decorrência de fatores climáticos, e ainda pelo reajuste residual da energia elétrica e do celular (BCP), que a partir de agora devem desaparecer do índice. Os quatro itens responderam por 0,20 ponto porcentual da inflação. Os combustíveis até registraram recuo. A gasolina baixou 0,18% e o álcool, 1,49%.
A previsão da Fipe é de que o IPC feche outubro em 0,40% e se mantenha neste nível em novembro, para depois recuar em dezembro. Neste mês e no próximo, os aumentos da carne bovina, em razão da entressafra, e do vestuário, com a entrada da coleção primavera-verão, vão pressionar no índice. No acumulado do ano, a inflação esperada pela Fipe é de algo entre 5% e 5,5%, caso o governo não aumente os combustíveis. Se isto ocorrer, o IPC pode pular para até 6% no final do ano. Até setembro, o acumulado está em 4,15%.
Segundo o coordenador da pesquisa da Fipe, Heron do Carmo, a inflação neste momento está se aproximando mais do núcleo, ou seja, está menos contaminada por fatores sazonais e sendo ditada mais pela política monetária.

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