São Paulo - O Índice de Preços ao Consumidor (IPC), calculado pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) da USP, caiu para 0,20% na terceira quadrissemana do mês. Além de ter ficado abaixo da inflação registrada na segunda prévia (0,27%), o IPC, que apura a taxa média na cidade de São Paulo, também foi menor que a esperada pelos analistas, que apontavam uma variação entre 0,25% e 0,33%. Este recuo levou o coordenador do IPC-Fipe, Paulo Picchetti, a rebaixar a sua previsão para o mês de 0,40% para 0,25%.
Apesar de rever a estimativa mensal, Picchetti manteve sua previsão de inflação anual entre 5,5% e 6%. Ele explicou que prefere manter uma margem de segurança nas suas projeções para acomodar possíveis variações inesperadas. ''Um exemplo disso são as frutas de época, que na mesma velocidade que sobem caem, mas dentro deste movimento podem prejudicar uma previsão.''
Segundo Picchetti, apesar de os itens industrializados terem subido mais do que o dobro em relação ao índice cheio (0,46%), o ritmo de alta desses produtos ficou aquém do previsto. ''Esperava uma variação maior, em torno de 0,54%.'' Na avaliação do economista, esta elevação menor só pode estar relacionada à baixa renda do consumidor.
Apenas um grupo de gêneros pesquisados apresentou variação superior à apurada na pesquisa divulgada semana passada. A maior alta do período foi a do grupo Despesas Pessoais, que subiu 0,50%, ante aumento de 0,64% na segunda prévia.
Questionado sobre a razão de sua previsão atual para o IPC-Fipe no fim de março não ser inferior a 0,25%, levando em conta o menor ritmo dos preços industrializados e o recuo do índice cheio no período, Picchetti argumentou que a indústria continuará pressionando para repassar seus aumentos de custos. Um exemplo, de acordo com ele, são os carros novos, cuja tabela foi reajustada em torno de 5% - no varejo o aumento foi de 1% em média. ''Imagino que este aumento ainda irá chegar ao varejo'', disse o coordenador.

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