Curitiba O Índice de Preços ao Consumidor (IPC) para famílias que ganham de um a 40 salários mínimos, em Curitiba, no mês de março, ficou em 1,19%, influenciado principalmente pelo aumento de 10,33% nas tarifas de ônibus urbano. Segundo dados divulgados ontem pelo Instituto Paranaense de Desenvolvimento Sócio-Econômico (Ipardes), o indicador acumulado este ano já é de 3,72%; mais que o dobro do percentual registrado no mesmo período de 2002, que foi de 1,48%. A inflação acumulada nos últimos 12 meses é de 14,49%, a maior desde 1999.
O grupo de alimentos e bebidas, segundo o Ipardes, apresentou variação de 1,58%, puxada pela alta de 67,29% no preço do tomate. Apesar do aumento ter sido bem superior ao da tarifa de ônibus, o item tem menor contribuição na composição do IPC. O grupo de transportes e comunicação não liderou porque outros itens tiveram baixa como foi o caso da gasolina (-4,42) e do álcool (-2,08).
O grupo de saúde e cuidados pessoais foi o segundo que mais influenciou a inflação, com variação de 2,92%. Os medicamentos tiveram maior contribuição, com alta de 6,56%. Entre os remédios que mais subiram estão os antiinflamatórios (7,99%), analgésicos e antitérmicos (9,53%) e antiinffecciosos e antibióticos (5,98%).
O economista do Ipardes, Gino Schlesinger, disse que esperava variação menor no IPC de março. No mesmo mês do ano passado, a inflação foi de 0,49%. Ele não encontrou explicação para a alta no grupo de alimentos e bebidas, já que não está havendo tanta pressão dos produtos industrializados (os que têm maior peso no grupo). Os próprios varejistas, segundo ele, não estão aceitando aumentos excessivos.
O aumento de 8,29% no preço do botijão de gás foi o principal responsável pela variação de 0,73% no grupo habitação. Em fevereiro, o item teve queda de 9,88%. Os economistas ainda não sabem como o preço do gás deverá se comportar nas próximas semanas, mas a expectativas é que o Ministério das Minas e Energia aumente a fiscalização para evitar abusos por parte das distribuidoras e revendas. Nos últimos seis meses, o botijão de gás subiu 21,85%.
De acordo com Schlesinger, a projeção é de que a inflação em abril seja menor que 1%, ficando próxima a 0,5%. Com exceção do grupo vestuário, que deve apresentar maior alta em função do lançamento das roupas de inverno, os demais grupos devem manter patamares de variação baixos. Ele estima que o aumento grupo alimentos e bebidas não passe de 0,4%.

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