A inflação de julho calculada pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) chegou a 1,4%, o maior índice desde novembro do ano passado (1,48%). A principal pressão veio dos preços ditados pelo governo e da geada, que provocou uma elevação dos alimentos in natura. A previsão anterior era de uma inflação de 1,3%. Em junho, o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) tinha fechado em 0,18%.
Só os aumentos dos combustíveis, do gás de botijão e do telefone tiveram peso de 0,49 ponto porcentual no índice. Os hortifrutis responderam por mais 0,30 ponto, registrando uma alta de 3,57% no mês passado, após acumularem uma perda de 4,18% em junho.
O IPC de julho, que provavelmente será o maior do ano, supera a inflação acumulada em todo o primeiro semestre (0,87%) e levou a Fipe a rever para cima a projeção para 2000, que passou de 4,5% para 5%. Mas, na opinião do coordenador do IPC, Heron do Carmo, a tendência é de que a pressão de alta se reverta ao longo do ano. A estimativa para agosto já aponta para um índice mais baixo, de 1%, e deve cair ainda mais em setembro. No último trimestre, a média mensal deve ser de aproximadamente 0,5%.
O fim do efeito dos reajustes do telefone, da energia elétrica, gás e combustíveis deve colaborar para o recuo da inflação. Também devem cessar a partir de setembro os aumentos de alguns alimentos que subiram em consequência da geada e da seca. O leite, por exemplo, que neste ano já aumentou 36,6%, começa a dar sinais de desaquecimento. O frango ainda está subindo. Além da questão da entressafra do milho, o produto tenta recuperar as perdas de todo o ano.
Heron completou ainda que a inflação perderá força nos próximos meses porque as recentes altas, principalmente das tarifas públicas e dos combustíveis, reduzirá o poder aquisitivo da população. ‘‘O repique da inflação vai mexer com os salários’’, disse. Até agora a pesquisa já apurou uma alta de 11,27% da gasolina e de 16,35% do álcool. O telefone subiu 3,94% e a luz, 0,19% (o levantamento ainda não registrou o aumento integral porque nem todos usuários receberam as contas com o reajuste). As previsões da Fipe não consideram um eventual reajuste das passagens de ônibus urbano, nem outro aumento dos combustíveis. Ele observou ainda que a alta inflação de julho talvez não apareça no demais índices do País, porque em São Paulo houve a concentração de diversos reajustes no mesmo mês, fato que poderia ser evitado pelo governo, segundo o economista.
Além dos produtos in natura, a alta dos Alimentos no mês passado (+2,51%) foi impulsionada principalmente pelos semi-elaborados. O leite longa vida, por exemplo, teve uma alta de 40,7%. O frango subiu 9,82% e o feijão, 2,56%.

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