IPC da Fipe tem maior deflação desde 57
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quarta-feira, 27 de agosto de 1997
Agência Estado São Paulo 
O Índice de Preços ao Consumidor (IPC), da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) da USP, caiu 0,88% na terceira quadrissemana - 30 dias terminados em 23 de agosto comparados com o período anterior. Essa é a maior deflação na cidade de São Paulo desde junho de 1957. O recuo dos preços surpreendeu Heron do Carmo, coordenador da pesquisa, que refez as previsões. Agosto deverá ter uma deflação de 1% e a expectativa para 1997 passa a ser de inflação de 4,5%, a menor desde 1950, quando havia sido 3,72%.
Com deflação de 1% este mês, São Paulo já terá no fim de agosto uma inflação acumulada em 12 meses de apenas 4,4%, a menor também desde junho de 1950, quando o índice acumulado em 12 meses havia ficado em 4,2%. Ao longo do segundo semestre, a variação dos preços ficará em torno de zero, calcula o economista.
No terceiro trimestre, prevê, a pesquisa deverá registrar uma deflação próxima de 0,9%. Pode haver algum repique em outubro e novembro, mas como tradicionalmente a inflação é baixa em dezembro, a variação média no segundo semestre ficará próxima de zero, previu.
O economista disse que está surpreso com o comportamento dos preços, especialmente com o dos alimentos. As despesas com alimentação diminuíram 1,65%. O recuo anterior havia sido 1,03%. A maior contribuição para isso foi a queda nos preços dos produtos industrializados, que chegaram a ficar 1,55% mais baratos. Além disso, os in natura mantiveram uma queda acentuada de 5,12% e a comida fora de casa ficou 0,13% mais barata, ressalta o economista. As maiores quedas nesse item foram mamão (25,71%), cebola (21,85%), batata (16,83%) e feijão (12,07%).
Boa parte dos preços dos produtos vendidos em supermercados apresentou queda ou subiu menos do que no período anterior. Artigos de higiene e limpeza, por exemplo, ficaram apenas 0,1% mais caros. Utensílios domésticos ficaram em média 1,23% mais baratos.
Esse comportamento dos preços nos supermercados, segundo Heron do Carmo, pode refletir não só a competição entre as empresas no setor, como queda no poder aquisitivo. A correção das tarifas públicas apertou o orçamento, afirma.
O custo do vestuário caiu 5,24%. Essa queda é provavelmente reflexo das liquidações. As peças femininas ficaram 7,6% mais baratas. Os demais itens que compõem a pesquisa ficaram praticamente estáveis.
Além de alimentação e vestuário, educação e transportes tiveram variações negativas. As despesas com educação caíram 0,28% e com transportes 0,48%. Habitação teve alta de 0,49%, despesas pessoais subiram 0,08% e saúde 0,63%.


