São Paulo terá, neste ano, a taxa de inflação mais baixa de sua história. A Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas) prevê alta de apenas 1,50%. A estimativa anterior era de 2%. A menor taxa já registrada pela instituição de janeiro a dezembro foi de 3,27%, em 1948. Com o resultado de julho, a inflação registrada nos últimos 12 meses acumula alta de apenas 0,97%. Taxa mais baixa só havia ocorrido de novembro de 1948 a outubro de 1949, quando houve deflação de 0,50%.
A Fipe refez sua previsão para este ano porque a taxa de julho, divulgada ontem, voltou a surpreender e recuou 0,77%. Era esperada deflação, mas de 0,40%. Em julho do ano passado, os preços médios subiram 0,11%. A deflação de 0,77% no mês passado é a menor desde junho de 1957, quando o IPC (Índice de Preços ao Consumidor) da Fipe registrou queda de 0,98%. Na comparação com os meses de julho, a taxa de 0,77% é a menor desde julho de 1949, quando houve deflação de 1,11%.
Segundo Heron do Carmo, economista e coordenador do IPC, os preços estão a caminho da estabilidade. ‘‘O que está ocorrendo é uma redução da margem de lucro. Ninguém compra mais nada por R$ 10 e vende a R$ 20 , afirma. Para Heron do Carmo, a atividade econômica foi prejudicada desde maio pelos feriados e pela Copa do Mundo, mas já deve estar se ativando agora. ‘‘Não estamos num processo de deflação , afirma o economista. ‘‘Só estaríamos numa recessão se tivéssemos um número negativo num período mais longo. Além disso, o governo está ativando a economia. Um exemplo é a redução dos juros’’.
Os alimentos, que subiram muito no início do ano, foram novamente os principais responsáveis pela queda do índice de preços. Em julho, a retração foi de 1,48%. O feijão apresentou queda de 20,12%. Outro item, habitação, teve queda de 0,26% em julho. Aluguel recuou 0,22%. A queda de preços deve continuar em agosto. Segundo previsão da Fipe, a taxa deve ficar negativa em 0,50%, principalmente devido às liquidações do vestuário, que deverão continuar, e à queda de preços do combustível.

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