IPC cai para 0,57% e Fipe prevê deflação
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quarta-feira, 07 de maio de 2003
Márcia De Chiara<br> Agência Estado 
São Paulo A inflação está em queda na cidade de São Paulo pelo terceiro mês consecutivo e esta trajetória deverá ter continuidade em maio. O Índice de Preços ao Consumidor da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (IPC-Fipe) fechou abril em 0,57%, com recuo de 0,10 ponto porcentual em relação a março. Esta foi a menor variação registrada pelo indicador desde junho (0,31%). A perspectiva para este mês é de uma inflação ainda menor, de 0,30%.
''Em maio, poderemos ter uma surpresa agradável'', diz o coordenador do IPC-Fipe, Heron do Carmo. Ele não descarta a possibilidade de vir a ocorrer deflação. O economista baseia o seu prognóstico otimista em vários fatores. Um deles, por exemplo, é o fato de que os alimentos irão exercer menor pressão sobre a inflação. ''O tomate, por exemplo, deverá cair 30% neste mês.'' Com isso, o produto, que chegou a responder por 0,11 ponto porcentual do IPC-Fipe na terceira quadrissemana, deverá aliviar a inflação, observa o economista.
Além disso, a redução de 5% do preço da gasolina nos postos representará uma descompressão de 0,13 ponto porcentual na inflação de maio. Também os remédios deixarão de pressionar a inflação, e haverá o alívio trazido pela queda do dólar nos custos e nos preços de vários produtos industrializados que compõem o índice.
Outra pista que confirma a perspectiva de queda do custo de vida é o fato de o núcleo semanal da inflação, um indicador de tendência que exclui preços dos combustíveis, alimentos não-industrializados, tarifas e cursos formais, ter fechado abril em 0,29%, ante 0,52% no mês anterior.
Na análise de Heron, os resultados do IPC-Fipe de março (0,67%) e de abril (0,57%) consolidam um novo nível de inflação. É que desde outubro o IPC-Fipe, por causa da disparada do câmbio, oscilou na faixa de 1,2% a 2,6% ao mês. ''O problema da inflação elevada já foi superado'', afirma o coordenador do índice.
A consolidação de um nível mais baixo, entre 0,30% e 0,40% ao mês, já indica que o custo de vida em 12 meses está próximo da meta de inflação estabelecida pelo Banco Central (BC), de 8,5% para este ano e de 5,5% para o próximo. A trajetória de queda da inflação abre espaço para corte na taxa básica de juros (Selic), que, na opinião do economista, já poderia começar gradualmente a partir deste mês.
De toda forma, Heron ressalva que em julho e agosto a inflação em São Paulo terá um repique provocado pelos reajustes das tarifas de energia elétrica, água, telefone, entre outras, concentrados nesse período. Ele calcula que, nesses dois meses, o IPC-Fipe acumulará variação de 3% e voltará a cair a partir de setembro.


