Ipardes contesta crescimento do PIB
Estudo de economistas gaúchos que colocou Estado como 4ª maior economia do País não se sustenta, diz Instituto
Carmem Murara
O Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes) montou um estudo de projeção econômica estadual, no qual faz o que considera uma avaliação mais realista da relação econômica entre Paraná e Rio Grande do Sul. Segundo o Ipardes, o Paraná só poderá superar a economia gaúcha a partir do ano 2008. Até lá, o Rio Grande do Sul continuará a ser a quarta maior economia do País, contrariando a tese de economistas gaúchos de que Produto Interno Bruto (PIB) paranaense passaria a ser o quarto maior do País neste ano.
A superação econômica paranaense foi colocada por um grupo de economistas e analistas do Rio Grande do Sul, que elaborou o projeto ‘‘Rio Grande do Sul - 2010’’. O estudo foi encomendado pelo governo Antonio Britto (PMDB) para mostrar que o Estado tem que atrair mais investimentos se não quiser perder a posição para o Paraná. Os economistas, entre eles Paulo Haddad (ex-ministro do Planejamento do governo Itamar Franco), colocaram que o Paraná estaria com uma participação de 7,36% no PIB nacional, contra 7,32% do estado gaúcho, em 98.
Os números são rebatidos pelo Ipardes, que considera exagerada a avaliação. ‘‘Eles estão completamente equivocados em relação ao Paraná. Os números foram superestimados’’, afirma o coordenador da área de Conjuntura Econômica do Ipardes, Gilmar Lourenço. Ele mostra que seria impossível à economia paranaense ter crescido tanto nos últimos anos. Em 97, a economia estadual representou 6,4% do PIB nacional, enquanto a gaúcha participou com 7,3% da economia brasileira. ‘‘Seria impossível o Paraná crescer quase um ponto percentual sobre o Rio Grande num curto espaço de tempo’’, assegura Lourenço. Nesta análise, o Paraná continua sendo a quinta economia nacional e não a quarta como coloca o estudo ‘‘Rio Grande do Sul 2010’’.
O economista afirma ainda que dois dados fundamentais mostram a diferença das duas economias estaduais. Em 94, o ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias) do Rio Grande do Sul representou 7,2% do recolhimento nacional do tributo, contra 5,1% do Paraná. No ano passado, o Paraná contribuiu com 4,8% e o Rio Grande do Sul com 6,7%. As exportações de 97 totalizaram US$ 6,27 bilhões (11,8% do total nacional) no Rio Grande do Sul e US$ 4,85 bilhões (9,2%) no Paraná.
Segundo Gilmar Lourenço, o Paraná apresentará um crescimento mais acelerado do que o Rio Grande do Sul, nos próximos anos, devido ao volume de investimentos. As indústrias que chegam ao Estado vão injetar R$ 14 bilhões na economia, que somados aos R$ 11 bilhões de infra-estrutura, chegariam a R$ 25 bilhões. O Rio Grande do Sul conseguiu R$ 15 bilhões somando os investimentos privados e infra-estrutura.
O Ipardes tem ainda um estudo que mostra o crescimento da economia paranaense acima da média nacional. De 1999 até 2003, a economia nacional crescerá 4% e a do Paraná, 5,3% a cada ano. ‘‘Após o ano de 2003 o Paraná vai crescer 6,3% e o País, 5% ao ano’’, coloca o economista.

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