Ipardes apresenta as condições para manter pesquisa de emprego
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terça-feira, 16 de dezembro de 1997
Carmem Murara Curitiba 
Arquivo FolhaSem conversaNelson Karan, do Dieese: órgão não aceitará em hipótose alguma suspender a divulgação da PEDO Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes) apresenta ao Dieese, na próxima sexta-feira, os critérios para renovação do contrato da Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED). O contrato precisa ser renovado em 31 de dezembro, mas o governo do Estado ameaça romper o convênio caso o Dieese não concorde em alterar o sistema de divulgação dos resultados. O governo quer ter o direito de tornar público os dados que achar conveniente.
Há três meses a publicação da pesquisa está suspensa por exigência do Ipardes. Em agosto, a taxa de desemprego atingiu o índice recorde de 14,8%, na Região Metropolitana de Curitiba. Foi o maior índice desde que a pesquisa começou, em dezembro de 1994. Os pesquisadores fazem a consulta em 2.010 domicílios. Os números foram a gota dágua para o governo.
A primeira pesquisa revelou que a Região Metropolitana tinha 8,9% de desempregados, o que representava 92 mil trabalhadores sem emprego. Trinta e dois meses depois, o desemprego subiu para 14,7% da população economicamente ativa. O total de pessoas sem ocupação passou para 155 mil pessoas.
O crescimento progressivo nos números desagradou o governo do Estado, que teme o uso político da pesquisa nas próximas eleições. A determinação dada ao Ipardes foi a de cancelar o levantamento ou, então, suspender a divulgação. O governo tem sido contra, porque quer mostrar uma realidade e os números apontam outros resultados, afirmou o diretor do Dieese, Gladir Basso.
O presidente do Ipardes, Paulo Mello Garcias, nega que o instituto tenha intenção de esconder a pesquisa. Nós queremos ter autonomia e independência na análise e publicação dos dados, afirmou. Segundo Garcias, o Ipardes concorda que o Dieese também divulgue o resultado, desde que não interfira na análise do instituto.
O Ipardes discute ainda a metodologia da PED e a participação de um funcionário do Dieese na apuração dos dados. Os índices de desempregos sempre ficam acima da média de 6% registrada pelo IBGE em algumasa capitais.
Hoje, a PDE tem um custo anual de R$ 1,5 milhão. O Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) financia metade da pesquisa e o governo do Estado, o restante. Se o governo suspender o contrato, o Dieese perde a verba do FAT e precisa procurar outro parceiro. Se não renovarmos o contrato, pensaremos em outros parceiros, afirmou o técnico do Dieese, Nelson Karan. Ele disse que o Dieese não aceitará em hipótese alguma suspender a divulgação do resultado da PED.


