Investir nos atletas dá retorno às marcas
São Paulo - Dois meses antes da Olimpíada de Atenas, o técnico da Seleção Brasileira de Futebol Feminino, Renê Simões, de 51 anos, bateu à porta do gerente de Marketing Esportivo da Topper, Gilberto Alves, para pedir ajuda para as jogadoras do Brasil.
Alves não esconde que não levou fé nas meninas, mas na ausência da seleção masculina, que nem classificação para participar dos Jogos havia conseguido, decidiu fornecer chuteiras, uniformes e algum dinheiro. Ele não mente: ''Foi muito pouco. É melhor nem dizer o valor''. Mas foi o suficiente, emenda ele, para garantir a presença de seis jogadoras nos treinos e em Atenas. Da Topper, Renê bateu em outras portas para garantir o resto do time.
Resultado: apesar de terem começado a treinar apenas em março, enfrentando dificuldades e preconceito, as meninas trouxeram a medalha de prata. Por pouco não trouxeram o ouro, numa final emocionante contra os Estados Unidos. Alves comemorou essa prata com o brilho do ouro e já pensa em continuar apoiando as jogadoras.
Esse é um dos raros casos em que a sorte bateu à porta de uma empresa, que investiu pouco e ganhou uma exposição que não esperava. Para o publicitário Fábio Fernandes, o F da agência F/Nazca, neste caso o compromisso da Topper em difundir o futebol falou mais alto. Segundo Fernandes, há dois tipos de anunciantes que colam a imagem ao esporte e aos atletas olimpícos: os que investem porque acreditam no esporte e no retorno ao produto ou serviço ao longo do tempo e os oportunistas, que vêem apenas a chance de brilhar com as vitórias.
Um dia depois de o iatista paulista Robert Scheidt conquistar ouro em Atenas, o Mackenzie fez uso do chamado anúncio de oportunidade: cumprimentou o atleta, seu ex-aluno, pela vitória. Os patrocinadores de Scheidt, sobretudo Banco do Brasil e Petrobrás, também enfunaram velas, em forma de anúncios. Dois dias depois, nova festa dourada, desta vez para a dupla Torben Grael e Marcelo Ferreira, e mais uma vez com direito a Banco do Brasil, Petrobrás e também a operadora de telefonia Vivo.
Para Fernandes, patrocinadores oficiais têm todo o direito de aproveitar esse momento porque investem, por longos períodos nos atletas, e só colhem os louros nesses momentos. Quem nada investiu pega carona. (C.F./AE)





