Imagem ilustrativa da imagem Investir em dólar não é para qualquer um
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Difícil encontrar um ativo que tenha se valorizado tanto quanto o dólar nos últimos 12 meses. A moeda norte-americana estava a R$ 3,10 no dia 3 de setembro de 2017 e fechou a R$ 4,10 nesta quinta-feira (6). O aumento é de 32%. Só para se ter uma ideia, um título privado que pagou 100% do CDI rendeu 6,77% no mesmo período. O Tesouro Selic teve 6,73% de rendimento. E a velha caderneta de poupança, apenas 4,97%.
Algumas ações na B3 (BMF&Bovespa) tiveram valorizações mais altas. As preferenciais da Petrobras passaram de R$ 15,02 para R$ 18,65 (+24%). As ordinárias do grupo JBS subiram de R$ 7,97 para R$ 9,35 (+17%). Já as ordinárias da Vale sofreram valorização maior que o dólar. Foram de R$ 35,80 para R$ 52,15, um aumento de 46%.
O índice Ibovespa - indicativo das ações mais negociadas da bolsa - estava a 73.412 pontos há um ano e fechou a 76.516 pontos nesta quinta-feira (6). A variação é de apenas 4,2%.
Apesar da supervalorização - acima da maioria dos produtos financeiros -, o dólar não é indicado como opção para o investidor comum. Há consenso sobre isso entre os analistas de mercado.
Gabriel Vansolini Soldado, sócio e assessor de investimentos da Bravus (escritório credenciado da XP Investimentos), de Londrina, lembra que o dólar é muito volátil, depende do humor de investidores no Brasil e no exterior e não é recomendado como investimento. "Só deve comprar dólar quem vai viajar ou então tenha um compromisso a honrar com a moeda estrangeira mais para frente", afirma Soldado.
O assessor lembra que, mesmo nesses casos, quem puder deve adiar a compra porque a moeda está muito apreciada e a tendência de médio e longo prazo é de baixa.
O economista-chefe da Guide Investimentos de São Paulo, Victor Candido, afirma que moeda estrangeira é um dos ativos para os quais há mais dificuldade de se traçar cenários. "E tem o fato de que 80% da movimentação da moeda é dada por fatores de fora do País", afirma. "Há uma série de riscos internos e externos para quem investe em dólar", complementa.
Já o professor da UFRG (Universidade Federal do Rio Grande do Sul) Guilherme Ribeiro de Macêdo, o dólar é opção para os investidores considerados qualificados pela CVM (Comissão de Valores Mobiliários). "São pessoas que têm de R$ 1 milhão para cima. Aí faz sentido comprar moeda estrangeira para se proteger de ataques especulativos. Para investidor pequeno, não faz sentido", alega.
Segundo ele, na verdade, a moeda estrangeira é considerada uma reserva de valor e não investimento. "Ao contrário de outros ativos, ela não paga juros, nem dividendos. Não há nenhum fluxo de caixa associado à moeda", explica.

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VIAGENS

Para quem vai viajar nos próximos meses e precisa da moeda norte-americana, a dica dos especialistas é que a compra seja feita aos poucos - medida que diminuiu o risco de se comprar todo o dinheiro com o valor mais alto.
De acordo com o Banco Central, devido à apreciação do dólar, os brasileiros estão gastando menos no exterior. Em julho, as despesas chegaram a US$ 1,731 bi. No mesmo mês do ano passado, haviam sido US$ 1,879 bi - redução de 8%. Em junho, os gastos também haviam recuado 1,5% na comparação com junho de 2017.

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