Investir em dólar é só para profissional
Comprar dólar é uma necessidade de todas as pessoas que viajam para o exterior, mas especular com moeda estrangeira é somente para investidores profissionais. É o que dizem os especialistas, já que o risco é muito alto. "Dólar e Bolsa envolvem uma série de fatores que não se controlam. No caso do câmbio, toda a sorte de políticas dos países envolvidos torna inviável fazer qualquer previsão. A poucos dias das eleições norte-americanas, esse risco é multiplicado", afirma o especialista em Gestão de Risco e professor de Gestão de Finanças e Risco do Instituto Superior de Administração e Economia (Isae/FGV) Sérgio Itamar.
A planejadora financeira Juliana Sitta também não indica a moeda como investimento. "Quando avaliamos o potencial de ganho frente ao potencial de perda, a relação risco versus retorno não é nada atrativa. O Brasil, historicamente, de tempos em tempos passa por períodos de volatilidade."
Ela lembra que o País passa por uma das piores crises econômicas e políticas. "Câmbio é um tema bastante sensível. É muito comum economistas renomados errarem suas projeções", argumenta.
Para ela, se o candidato republicano à Presidência dos Estados Unidos, Donald Trump, vencer as eleições, haverá mais oscilações do câmbio. "O mercado considera as propostas do candidato, no que tange à política econômica e à política externa, mais polêmicas e heterodoxas, o que pode gerar alterações mais relevantes", explica.
Segundo o relatório Focus do Banco Central divulgado no último dia 28, a expectativa é de que o dólar encerre 2016 em R$ 3,20. Para dezembro de 2017, a projeção é de R$ 3,40.
Segundo Juliana, há outro fator que pode gerar maior volatilidade em um futuro próximo. "A avaliação é de que o dólar pode voltar a subir nos próximos meses por conta da sinalização do Federal Reserve (banco central norte-americano) de aumento gradual dos juros dos Estados Unidos. Isso deverá atrair mais investidores para aquele país", afirma. (M.M.)





