Curitiba - Há quem pense em investir na Bolsa de Valores, mesmo depois de instaurada a crise mundial. Investidores iniciantes, sem nenhuma experiência em mercado de ações, têm procurado ajuda especializada para saber se a Bolsa ainda será um bom negócio para 2009. ''A crise é um momento de oportunidade, basta saber enxergar onde ela está. Ainda é um negócio rentável contanto que o investidor saiba onde está aplicando dinheiro após um minucioso estudo de empresas que tem haver com os seus objetivos e perfil'', afirma o assessor de investimentos Mehanna Hamad Mehanna, professor de educação financeira e palestrante do curso ''Aprenda a Investir na Bolsa'', que começa dia 27 de janeiro em Curitiba, pelo setor educacional da XP Investimentos.
Para o especialista, buscar informação é fundamental para se fazer negócios seguros e com lucratividade, mesmo agora em meio a tantas quedas bruscas e escolher uma corretora de ações de confiança (somente por ela que são feitas as transações). O primeiro conselho de Mehanna ao iniciante é que ele se pergunte o que o motiva a investir. Qual o objetivo? O dinheiro disponibilizado por ser aplicado sem preocupação de resgate a curto prazo? O perfil do investimento será de curto ou longo prazo? De baixo ou alto risco?
As respostas, para o especialista, são o termômetro de como o investidor vai lidar com o jogo de compra e venda das ações. ''A corretagem indicará as ferramentas adequadas para os investimentos'', diz. Uma das ferramentas é a analisar as empresas que se encaixam no objetivo do investidor, além disso, as respostas apontarão o grau de emoção despreendida durante as operações financeiras. ''Mercado é muito mais emoção que razão, ou seja, se você não está bem seguro quanto à solidez da empresa que você comprou a ação, estará mais sujeito às reações do humor do mercado e pode perder dinheiro neste contexto'', sugere Mehanna.
A conclusão é simples. Para comprar ação é indispensável uma avaliação do desempenho da companhia durante um certo período, como 10 anos, por exemplo. ''O saldo das operações é o que vale e não necessariamente o quanto aumentou ou caiu uma ação. Mesmo agora na crise, há empresas que tiveram queda nas ações, mas alta no lucro'', comenta. Mehanna apontou o caso de investidores que aplicaram R$ 10 mil há 12 anos em empresas de desempenho crescente e computam uma carteira de R$ 1 milhão neste ano.
Para escolher uma empresa, o investidor sempre deve se perguntar se a companhia apresenta balanços positivos, há quantos anos registra crescimento nos lucros, se vai continuar crescendo ao longo dos anos, qual as perspectivas de mercado para aquele segmento. ''Preocupar-se com a qualidade da empresa a ser investida é o diferencial entre a compra boa da ruim'', ensina.
O curso para iniciantes desmistifica alguns pontos - quase lendários - sobre a Bolsa, além de explicar como está o humor no mercado e educar financeiramente o investidor. ''A oscilação no valor de ações é comum, o que não pode é ficar a mercê de emoções'', impõe Mehanna, ao lembrar que este é o sentimento que rege a Bolsa. ''O mercado reage a qualquer estímulo que pode estar previsto ou não, como quando houve queda nos fechamentos em todo o mundo por causa do atentado às Torres Gêmeas, em Nova Iorque, ou o Tsunami na Indonésia. O que estes fenômenos têm haver com ações? Nada! Mas agitaram o emocional dos investidores e foi o suficiente para uma turbulência. Agora é o momento de aproveitar a irracionalidade que toma conta deles, com medo de perder dinheiro, ao ver o valor de ações caírem, e comprar muito barato, abaixo da metade do preço de 2007. Quem está fazendo isso, tem aumentado o seu poder acionário em boas empresas'', calcula.

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