Investimentos serão maiores em 2006
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 24 de março de 2006
Lu Aiko Otta<br>Agência Estado 
Brasília - Neste ano, a despeito das dificuldades, os investimentos deverão ser maiores do que em 2005, avalia o gerente-executivo da Unidade de Política Econômica da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Flávio Castelo Branco. Isso será provocado por um conjunto de fatores: crescimento maior da economia, continuação do processo de queda na taxa dos juros e as medidas já anunciadas de corte nos impostos sobre máquinas e equipamentos.
''Mas de fato existem limitações macroeconômicas a que os investimentos continuem crescendo'', disse, referindo-se ao constante aumento da carga tributária e dos gastos do governo. ''É importante atacá-los para que os investimentos possam crescer ainda mais.''
O economista Fernando Montero, da corretora Convenção, também acha que haverá um pouco mais de investimento em 2006. Na sua avaliação, isso deverá ocorrer porque o setor externo está perdendo fôlego. O câmbio desfavorável às vendas ao exterior fará com que as exportações cresçam em um ritmo menor do que nos anos anteriores. Isso fará com que uma parcela maior da produção seja absorvida pelo mercado interno.
TJLP - Castelo Branco está confiante que o custo financeiro dos investimentos vai cair este ano. Ele disse ter ''certeza'' que a Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP) será reduzida na próxima reunião do Conselho Monetário Nacional (CMN), marcada para o dia 30. A TJLP é a taxa que corrige os empréstimos concedidos pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para financiar a produção.
Segundo o economista da CNI, a TJLP cairá porque as projeções de inflação e a taxa de risco país estão abaixo do nível em que estavam em dezembro de 2004, quando a TJLP foi cortada de 9,75% para 9%. Inflação e risco país são os principais componentes da TJLP. Por isso, avalia ele, não há razão para não cortar a taxa. Na quarta-feira, o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Guido Mantega, defendeu que a taxa prossiga em trajetória de queda, em direção a 7% anuais.
Também as medidas de desoneração tributária deverão mostrar mais seus efeitos em 2006. Castelo Branco comentou que elas foram anunciadas entre o final de 2004 e ao longo de 2005, que foram períodos de retração econômica. Por isso, seus efeitos foram pouco notados. Agora, porém, os empresários industriais voltam a analisar planos de investimento, não só porque a economia crescerá mais este ano do que em 2005, mas também porque a ''folga'' hoje existente na capacidade instalada deverá ser utilizada ao longo do ano.


