Com o investimento que chegará a US$ 1 bilhão num novo parque industrial no Rio Grande do Sul, anunciado oficialmente ontem pela Ford, passa de US$ 9 bilhões o total de recursos que será destinado ao Brasil até a virada do século pelas empresas que assinaram o Regime Automotivo, incluindo montadoras já instaladas e as que se preparam para entrar no País, as chamadas ‘‘newcomers’’. A soma envolve desde as multinacionais, como General Motors, Ford e Renault, com programas de mais de US$ 1 bilhão cada uma, até pequenos fabricantes de motocicletas e tratores, com US$ 3 milhões.
A súbita decisão da Ford de construir mais uma fábrica deve-se mais em função da sua necessidade urgente de criar capacidade produtiva. O professor João Paulo Cândia Veiga, do Centro de Estudos de Cultura Contemporânea (Cedec), lembra que a Ford tem hoje capacidade de produção de 550 mil veículos no Mercosul. Mas a concorrência está se preparando para chegar perto do 1 milhão de unidades por ano. ‘‘Era uma diferença muito grande e eles não podiam ficar de braços cruzados’’.
Sem contar que novas marcas prevendo grandes volumes vêm aí. A Renault, em fase de construção da sua primeira fábrica brasileira no Paraná, pretende fabricar anualmente pelo menos 100 mil unidades do seu modelo médio Sénic. Embora oficialmente tenha anunciado volumes pequenos, a japonesa Honda, que inaugurará sua fábrica na segunda-feira, também está programando altos volumes.
A General Motors, que já tem duas fábricas em São Paulo, vai gastar US$ 600 milhões para construir mais uma no Rio Grande do Sul para fazer mais um modelo. A GM vai, aliás, construir outras duas unidades, em Mogi das Cruzes (SP) e Santa Catarina, para produzir motores.

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