Depois de atingir o recorde de US$ 31,4 bilhões no ano passado, a entrada de investimentos estrangeiros no País começa a recuar por conta da redução das privatizações, devendo cair para US$ 28 bilhões neste ano e para US$ 25 bilhões em 2001. A previsão foi divulgada ontem pela Sociedade Brasileira de Estudos de Empresas Transnacionais (Sobeet), durante o lançamento do WIR 1999 – World Investment Report, da Unctad (Conferência das Nações Unidas para Comércio e Desenvolvimento).
No ano passado, as privatizações responderam por 28% do investimento direto estrangeiro (IDE) no País. De janeiro a agosto deste ano, a fatia das privatizações ficou em 13,6%, de um total de US$ 22,5 bilhões de ingresso no período. Em 1998, entraram no País US$ 28,5 bilhões, dos quais 22,4% vinculados à compra de ativos estatais por estrangeiros. Nos próximos anos, devem liderar a lista de investimentos não mais as privatizações, mas as atividades de aquisição.
‘‘O País tem um grande mercado empresarial e deve continuar a atrair investidores, mesmo com a redução nas privatizações’’, disse o professor Antônio Corrêa de Lacerda, presidente da Sobeet, responsável pela divulgação no Brasil do WIR 1999. Lacerda destacou que, ao contrário de análises simplistas que consideram as aquisições sem efeito sobre a atividade produtiva do País, já que não constroem fábricas novas, o efeito das aquisições será positivo no longo prazo porque, após a compra, passa a ingressar no País o investimento ligado à modernização industrial, à transferência de tecnologia e ao aumento da produção, gerando empregos.
O professor da FGV Gesner Oliveira, ex-presidente do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), explicou que a manutenção da entrada de investimentos estrangeiros diretos depende de uma regulação e de uma política industrial mais adequadas, que defendam a concorrência e que passem credibilidade e segurança jurídica ao investidor direto. ‘‘Um levantamento realizado por técnicos canadenses mostra que, se o País fosse melhor regulado, a entrada de investimentos estrangeiros seria muito maior’’, disse.
Ao compilar e comparar dados já divulgados, a Unctad mostra que o Brasil respondeu por US$ 31,4 bilhões dos US$ 90,4 bilhões em investimentos estrangeiros diretos que entraram na América Latina no ano passado, segundo o WIR 1999. A Argentina, com US$ 23,25 bilhões, e o México, com US$ 11,23 bilhões, foram o segundo e terceiro lugares na lista da região, respectivamente. O Brasil recebeu, também, 3,6% do fluxo de investimentos diretos de empresas transnacionais no ano passado, que totalizou US$ 800 bilhões.
Os países em desenvolvimento, em cuja lista o Brasil está com 13,6% dos investimentos, ficaram com US$ 230 bilhões.

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