Investimentos estrangeiros no Brasil caem 63%
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quinta-feira, 24 de julho de 2003
Ney Hayashi da Cruz<br> Agência Folha 
Brasília As empresas e instituições estrangeiras reduziram em 63% seus investimentos no Brasil no primeiro semestre de 2003, segundo dados do Banco Central (BC). A comparação é feita com os seis primeiros meses do ano passado. De janeiro a junho deste ano, o saldo de capital externo no País (entradas menos saídas) ficou em US$ 3,5 bilhões, contra US$ 9,617 bilhões em igual período de 2002.
No mês passado, o total de investimento direto estrangeiro (IDE) recebido pelo País ficou em apenas US$ 186 milhões, o menor valor desde abril de 1995. Nas últimas semanas, porém, já se observa uma leve recuperação. Segundo o BC, dados parciais colhidos ontem indicavam que US$ 600 milhões em investimentos haviam entrado no País neste mês. A projeção oficial é que, neste ano, o ingresso de capital externo chegue a US$ 10 bilhões.
Dos US$ 3,5 bilhões em investimentos recebidos pelo Brasil no primeiro semestre, US$ 801 milhões - ou 22,9%-não se traduziram num ingresso efetivo de dólares, mas sim às operações denominadas de ''conversão''.
Nessas transações, a empresa faz um acordo com seus credores para pagar suas dívidas em ações da companhia. Assim, o antigo credor se transforma em sócio da empresa, sem que seja necessário o aporte de novos recursos.
No primeiro semestre de 2002, US$ 2,473 bilhões dos investimentos recebidos pelo Brasil - 25,7% do total - se referiam às conversões. Mesmo que não signifiquem entrada de dólares, as operações propiciam a redução da dívida externa das empresas.
A queda no volume de investimentos recebidos no primeiro semestre foi atribuída pelo BC a operações isoladas realizadas nos últimos meses, em que multinacionais venderam a participação que tinham em empresas que atuam no Brasil e enviaram o dinheiro de volta às suas matrizes. Foi o caso do banco BBV, que remeteu US$ 649 milhões referentes à venda de sua operação brasileira para o Bradesco.
''Os resultados registrados até agora estão dentro do previsto'', diz o chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes. Ele afirma ainda que a queda no fluxo de capital externo tem sido observada em todo o mundo, e não apenas no Brasil. Esse fenômeno seria consequência da desaceleração das economias dos países desenvolvidos.
Para Alexandre Matias, economista da Unibanco Asset Management (UAM), as incertezas com a sucessão eleitoral no ano passado e as dúvidas sobre o desempenho da economia no começo deste ano levaram muitas multinacionais a postergar suas decisões de investimento no Brasil. Esses planos, diz, devem ser retomados no segundo semestre.


