Investimentos estão aquém do necessário
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quinta-feira, 04 de novembro de 2004
Jacqueline Farid<br> Agência Estado 
Rio de Janeiro Indicadores econômicos importantes como taxa de investimento e Produto Interno Bruto (PIB) per capita ainda são ameaças à sustentabilidade do desenvolvimento do Brasil. Segundo alerta o técnico responsável pela análise das informações econômicas da pesquisa Indicadores de Desenvolvimento Sustentável 2004, Flávio Bolliger, os investimentos estão aquém do necessário para garantir um desenvolvimento com sustentabilidade.
A taxa de investimento (porcentual do PIB voltado para investimentos), segundo o IBGE, manteve-se praticamente estagnada entre 1992 (18,42%) e 2003 (18,04%). ''Para países em desenvolvimento, são preconizadas taxas de investimento bem mais altas do que as que têm sido observadas no Brasil. Elas têm flutuado em torno de valores inferiores a 20% e, além disso, mostram uma clara tendência de declínio'', avalia.
Bolliger lembra haver unanimidade entre os economistas de que é preciso uma taxa de investimento de pelo menos 25% para garantir um crescimento sustentável nos próximos anos no País. ''É preciso taxas de investimentos maiores para o desenvolvimento sustentável'', disse.
No primeiro semestre deste ano, não analisado pela pesquisa mas segundo dados já divulgados pelo IBGE, a taxa de investimento subiu para 18,9%, a maior para um primeiro semestre desde 2001, quando o percentual foi de 20,2%, mas ainda bem longe dos 25% necessários.
Para o diretor executivo do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial, Julio Sérgio Gomes de Almeida, a taxa poderá crescer para 25% ''em dois ou três anos'' desde que sejam tomadas algumas iniciativas fundamentais pelo governo federal. Entre elas a recuperação do crescimento econômico, a elaboração de um conjunto mais claro de regras para o setor produtivo, redução dos tributos para investimentos e, ainda, queda da taxa de juros.
Gomes de Almeida disse que o governo tem avançado nas chamadas reformas microeconômicas, que vão permitir avanços na atração de investimentos. ''A agenda é boa, mas é preciso ir mais rápido'', disse, criticando o que considera lentidão do governo nessa área. No que diz respeito aos juros, ele defende a queda tanto da taxa básica (Selic) como de outras como a Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP). ''Se o governo tomar essas iniciativas, rapidamente chegaremos aos 25%. Mas é preciso aumentar a dose de ousadia, que está baixa.''
No caso do PIB per capita do Brasil, ou seja, todas as riquezas geradas pelo País divididas pelo número de habitantes, a avaliação de Bolliger é que o volume é baixo e ''tem impedido um melhor desempenho da economia e um avanço sustentado no nível de renda do País''. Segundo mostram os dados reunidos no levantamento, o PIB per capita passou, a preços de 2003, de R$ 7.471 em 1992 para R$ 8.564 em 2003. No ano passado o PIB per capita foi menor do que o registrado em 2002 (R$ 8.692).
Os números revelam, segundo a análise de Bolliger, que ''nos últimos anos, o PIB per capita do Brasil manteve-se num patamar bastante estável, alternando taxas de crescimento baixas com situações de queda em alguns anos''. Para ele, ''temos no Brasil um nível de renda per capita baixo em relação ao potencial brasileiro e dos países desenvolvidos''.


