Investimentos escassos impedem produtividade maior no País
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 01 de setembro de 2003
Vânia Cristino<br> Agência Estado 
Brasília - A crise econômica vivida pelo País nos últimos anos não permitiu o aumento da produtividade do trabalhador brasileiro. Segundo o secretário-adjunto de Relações do Trabalho do Ministério do Trabalho, Marco Antônio Oliveira, o aumento da produtividade no trabalho não depende exclusivamente do trabalhador e das horas trabalhadas. Segundo ele, para que a produtividade se eleve é preciso que haja investimentos por parte das empresas, tanto em novos equipamentos quanto em pesquisas sobre o ritmo da produção.
Um estudo da Organização Internacional do Trabalho (OIT) divulgado ontem afirma que, embora o trabalhador brasileiro trabalhe mais do que os seus colegas europeus, sua produtividade é quatro vezes mais baixa. A avaliação do mercado de trabalho brasileiro feita pela OIT ressalta que a produtividade no País está estagnada há 20 anos.
O Ministério do Trabalho reconheceu que o cenário de estagnação econômica não é propício para o investimento das empresas. ''É muito difícil elevar a produtividade num cenário desses'', disse o secretário-adjunto. Ele explicou que as empresas limitam seus investimentos em virtude do crédito caro e escasso e das compras em queda por parte dos consumidores. Mais uma vez é o crescimento da economia que vai trazer os investimentos necessários para o aumento da produtividade.
Oliveira também argumentou que há setores da economia brasileira com maior densidade de capital e voltados para a exportação onde a produtividade é elevada. Como exemplo ele citou o setor automobilístico, onde inclusive a jornada de trabalho já é inferior às 44 horas prevista na Constituição. Isso, segundo Oliveira, é uma prova de que somente a jornada de trabalho longa não é garantia de aumento de produtividade.


