Investimentos e exportações puxam PIB
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quinta-feira, 03 de junho de 2004
Agência Estado 
Rio de Janeiro - Pela primeira vez nos últimos dez anos, os investimentos e as exportações começam a puxar, juntos, o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB). Segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), isso confere ''qualidade'' ao crescimento econômico do País, que deverá ficar, segundo projeção do instituto, em 3,5% este ano. Enquanto a taxa de investimentos passará para 19,7% do PIB - maior nível desde 1998 -, as exportações de bens e serviços avançarão 12,5%, segundo avaliação conjuntural do Ipea.
As novas projeções foram apresentadas ontem. A estimativa do instituto para o crescimento, que estava em 3,4%, foi ligeiramente calibrada para cima. O cálculo levou em conta o avanço acima do esperado do PIB no primeiro trimestre. Mas o Ipea foi cauteloso, por conta das incertezas externas, dentre elas a a elevação dos juros americanos. Não fosse este cenário, a projeção para o PIB poderia ficar entre 3,8% e 4,0%, dizem os técnicos do instituto.
''Para se ter um bom crescimento, é preciso que ele seja liderado pelos investimentos e as exportações. A qualidade do crescimento merece destaque. É a primeira vez que as duas coisas estão correndo em paralelo'', disse o economista do Ipea Fábio Giambiagi, citando que o desejo é de que a taxa de investimentos chegue a 22% a 23% do PIB. Para o primeiro trimestre deste ano, o Ipea calculou que a taxa foi de 19,2%, a maior dos últimos dez trimestres.
O diretor de Macroeconomia do Ipea, Paulo Levy, afirma que taxas de crescimento entre 3% e 4% são ''relativamente boas''. Mas pondera que expansão a taxas mais elevadas depende de avanços nas reformas estruturais, citando a trabalhista, a ampliação da previdenciária, a continuidade da tributária, ''definição clara'' de marcos regulatórios e medidas de microeconomia ligadas ao crédito, por exemplo.
Levy disse que os dados recentes sobre a recuperação econômica reduzem as críticas de que a política econômica (com austeridade fiscal e câmbio flutuante) impede o crescimento. ''O atual arranjo não é, em si, obstáculo a crescimentos mais elevados'', argumenta o diretor do instituto, vinculado ao Ministério do Planejamento. O Ipea elevou a projeção de inflação para o ano de 5,7% para 6,5% e da taxa Selic, no último trimestre, de 14,4% para 15,5%.
A revisão da taxa de juros ocorreu, segundo Levy, em razão de pressões inflacionárias e de um quadro internacional um ''pouco mais desfavorável''. A avaliação é de que a inflação vem recuando abaixo do esperado, o que justifica a cautela da política monetária. Além disso, o núcleo calculado pelo instituto (que reduz o peso dos produtos com maiores oscilações) tem ficado entre 0,60% e 0,70%, o que indica ''resistência'' da inflação em cair. ''Isso justifica que a política monetária deva prosseguir em um tom de relativa cautela'', disse Levy. Para os economistas do instituto, o núcleo da inflação deveria recuar para algo em torno de 0,50%.


