Investimentos dos brasileiros crescem 11,8% em 2017
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quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018
Reportagem Local 

As aplicações dos brasileiros em produtos financeiros atingiram R$ 2,7 trilhões em 2017, o que indica alta de 11,8% na comparação a 2016. Os resultados fazem parte de relatório da Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais) que consolida os investimentos das 73,7 milhões de contas dos segmentos de varejo e de private banking das instituições do País.
Quanto à distribuição dos recursos, as alocações em fundos de investimento atingiram o maior volume entre os instrumentos utilizados (R$ 984,5 bilhões) no ano passado, com avanço de 27% sobre 2016. Os títulos e valores mobiliários tiveram redução de 1%, puxada pelas operações compromissadas, cuja recente mudança regulatória afetou o acesso aos papéis, e pela falta de lastro das LCIs (Letras de Crédito Imobiliário) e LCAs (Letras de Crédito Agrícola). Já as aplicações em poupança responderam por 26% do saldo total (R$ 665,7 bilhões), com crescimento de 9%.
SÓ VAREJO
O maior número de investidores manteve-se concentrado no varejo, que representa um universo de 73,6 milhões de contas. O volume aplicado por eles cresceu 9,5% em 2017, atingindo R$ 1,7 trilhão. O segmento é dividido em duas categorias: tradicional e alta renda (a classificação de cliente alta renda é feita pelo banco). Na tradicional, o avanço foi menor, de 7,4%, com total de R$ 916,1 bilhões. Na alta renda, o saldo investido foi de R$ 778,1 bilhões, com alta de 12,1% em relação a 2016.
Embora a caderneta de poupança ainda responda pela maior parte dos recursos de varejo (39,2%) alocados e do número de clientes (85%), as aplicações em fundos tiveram aumento de 32,8% em 2017, impulsionadas principalmente pelos multimercados, que cresceram 117,1% no ano. "O resultado reflete a procura cada vez maior dos investidores por produtos mais sofisticados com mais riscos envolvidos, principalmente entre o varejo alta renda, como efeito da queda dos juros", afirma José Rocha, presidente do Comitê de Varejo da Anbima.
PRIVATE
No private banking (que engloba os investidores com, no mínimo, R$ 1 milhão em ativos financeiros), o volume de recursos registrou alta de 15,3%, totalizando R$ 964 bilhões, e o número de contas subiu 4,8% (para 117 mil) em 2017. Entre os instrumentos, destaque ao aumento das aplicações em fundos multimercados (24,4%), em ativos de renda variável (38,8%) e em previdência aberta (27,6%). "A previdência foi destaque nos últimos anos e continuará sendo um dos carros-chefes do private, especialmente por conta das mudanças regulatórias que flexibilizaram os investimentos nestes produtos", afirma João Albino, presidente do Comitê de Private Banking da Anbima. Apenas a carteira de ativos de renda fixa teve queda em 2017, por conta da menor alocação em títulos bancários (-24%) e em ativos com lastro imobiliário (-3%).
POR REGIÃO
Em 2017, os investimentos dos brasileiros continuaram concentrados na região Sudeste. No varejo, 52,9% dos recursos alocados foram de clientes de São Paulo (30,4%), Rio de Janeiro (10%), Minas Gerais (10,7%) e Espírito Santo (1%). Na sequência vieram as aplicações do Nordeste, com 19,5%, e do Sul, com 15,6%. Centro-Oeste e Norte tiveram participações de 7,4% e 4,7%, respectivamente. O total de clientes acompanhou essa tendência: o Sudeste encerrou o ano com 38,9 milhões de contas (crescimento de 5% sobre 2016), seguido do Nordeste (14,3 milhões), Sul (11,5 milhões), Centro-Oeste (5,4 milhões) e Norte (3,5 milhões).
Mais da metade dos papéis foi distribuída no mercado
No ano passado, 67% (R$ 93,7 bilhões) dos ativos de renda fixa emitidos no mercado de capitais foram comprados pelos investidores. "Isso mostra o crescimento do mercado de capitais, com mais negócios e, consequentemente, mais liquidez", afirma José Eduardo Laloni, diretor da Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais). Do total emitido, os bancos ficaram com apenas 33% (R$ 45,9 bilhões) dos papéis nas tesourarias de suas casas.
O percentual de distribuição a mercado, considerando o total originado, é o maior desde 2009, início da vigência da Instrução CVM 476 (que regula a distribuição via esforços restritos, isto é, ofertas destinadas a um número limitado de investidores), que alterou o cenário de colocação dos papéis no mercado. Foi a primeira vez que os investidores ficaram com mais da metade dos papéis. Em 2016, por exemplo, 39% dos ativos foram a mercado e 61% ficaram com os bancos. Os dados abrangem emissões de debêntures, de notas promissórias, de CRIs (Certificados de Recebíveis Imobiliários), FIDCs (Fundos de Investimento em Direitos Creditórios) e de CRAs (Certificados de Recebíveis do Agronegócio) distribuídos via instruções 400 e 476.
"O mercado vem se desenvolvendo com assets e corretoras mais ativas, o que também tem impulsionado o crescimento dos negócios no mercado secundário. Além disso, os investidores, diante de um cenário de queda de taxa de juros e menor inflação, estão mais atentos, buscando novos produtos", complementa Laloni.
Outro fator que estimulou a pulverização dos papéis foi a maior participação dos investidores institucionais. Nos anos anteriores, por conta da instabilidade econômica, esse público adquiriu menos produtos. Em 2017, foram responsáveis por 61% da compra de debêntures contra 32% em 2016. Com relação às notas promissórias, os investidores institucionais adquiriram 57,2% desses ativos, enquanto em 2016 compraram 32,7%. (Reportagem Local)


