Brasília - Os brasileiros tinham US$ 93,243 bilhões no exterior no fim de 2004, segundo dados divulgados ontem pelo Banco Central (BC). Deste total, US$ 69,196 bilhões eram investimentos diretos de empresas brasileiras em outros países. O restante estava disperso em outros tipos de operação, como empréstimos e aquisição de títulos no exterior. O total de capitais brasileiros fora do País aumentou 12,8% em comparação com 2003, puxado pelos investimentos diretos, que tiveram elevação de 28,1%.
O incremento dos investimentos, na visão do BC, foi provocado pelo processo de abertura econômica do País, iniciado ainda no governo do ex-presidente Fernando Collor de Mello. Isto, de acordo com os técnicos do BC, levou muitas empresas brasileiras a procurar expandir o nível de suas atividades no exterior.
Outro fator importante apontado pelo BC foi a diversificação dos mercados onde os produtos brasileiros são negociados hoje em dia. Segundo especialistas, isto levou os empresários a construir alguma infra-estrutura de negócios em países da Ásia e do Oriente Médio e intensificar a presença no mercado europeu.
O principal destino dos investimentos brasileiros no exterior são paraísos fiscais no Caribe, onde a tributação é baixa e, em alguns casos, zero. De lá, eles seguem para outros destinos. ''Por uma opção compreensível, os empresários escolhem primeiro estes locais, onde há uma política fiscal mais favorável. Depois disso, os recursos são redirecionados a outros países'', disse o chefe do Departamento de Combate a Ilícitos Financeiros e Supervisão de Câmbio e Capitais (Decic) do BC, Ricardo Liao.
Ele adiantou que, na próxima pesquisa, o Banco Central tentará detectar qual foi o destino final dos recursos remetidos inicialmente aos paraísos fiscais.
A fusão entre as cervejarias Interbrew, da Bélgica, e a Ambev brasileira foi outro fator que ajudou a aumentar os investimentos diretos de brasileiros fora do País. Esta operação específica fez o volume dos investimentos brasileiros na Dinamarca aumentar no ano passado de US$ 10 milhões para US$ 6,460 bilhões. O dinheiro foi para a Dinamarca, segundo os técnicos do BC, porque as partes envolvidas na negociação optaram por criar uma empresa naquele país. O valor, no entanto, é inferior aos US$ 13,930 bilhões destinados ao paraíso fiscal das Ilhas Cayman e também ficou abaixo dos US$ 7,825 bilhões recebidos pelas Ilhas Bahamas, outro paraíso fiscal situado no Caribe.
O aumento dos investimentos diretos de brasileiros no exterior não impediu, entretanto, que houvesse uma pequena queda da participação destes investimentos no Produto Interno Bruto (PIB) do País. Pelos dados divulgados hoje, a soma destes investimentos variou dos 10,8% do PIB em 2003 para 10,38% do PIB no ano passado.
Países como a Argentina, o Chile, a Rússia, a China e a África do Sul têm um nível de investimentos no exterior acima da marca dos 10% do PIB. A intensificação do processo de abertura da economia e a elevação dos negócios do País com o exterior são as chaves apontadas pelo BC como forma de o Brasil aumentar o grau de internacionalização de seus investimentos.

mockup