INVESTIMENTOS - Anúncio seis meses antes de eleição causa surpresa
PUBLICAÇÃO
sábado, 29 de março de 2014
Fábio Galiotto<BR>Reportagem Local 
Se o rebaixamento da nota brasileira pela agência de análise de riscos Standart & Poors (S&P) era esperado, o momento em que ocorreu causou certa surpresa. Apesar de a avaliação ser considerada técnica e confiável, o recado passa a ser direcionado para todos os possíveis candidatos à Presidência além de Dilma Rousseff, que deve concorrer por um segundo mandato.
Parte do impacto, portanto, deve ser a escalada da discussão da política fiscal brasileira na pauta para a eleição em outubro. Como a mudança na nota não é novidade e pouco muda o cenário econômico nacional, o analista Luis Gustavo Pereira, da Guide Investimentos, diz que a expectativa era que o rebaixamento ocorresse depois do pleito ou no início de 2015. "Normalmente, a agência esperaria a eleição para ver se ocorreria uma mudança de governo", diz.
BOLSA DE VALORES
Pereira acredita que parte do sobe e desce das ações na Bolsa de Valores se dá também pelos resultados de pesquisas de popularidade ou de intenções de voto. Em entrevista na última sexta-feira sobre o rebaixamento da nota brasileira pela S&P, a ministra do Planejamento, Miriam Belchior, rechaçou qualquer análise nesse sentido. "A Bolsa não é o melhor indicador para avaliar o governo", afirmou, em evento na Costa do Sauípe (BA).
Há diferenças na análise de risco de agências de diferentes países. Enquanto a norte-americana S&P reduziu a nota do Brasil para BBB-, a chinesa Dagong Global Credit Rating avalia o País três patamares acima, com A-. Apesar de reconhecer as dificuldades impostas pelo cenário político brasileiro, a agência asiática considera a dívida brasileira relativamente estável.
CRISE DE 2008
As agências de análise de risco não estão imunes a erros. Todas davam boas notas para as operações de hipotecas imobiliárias nos Estados Unidos, que levaram a calotes e à crise financeira iniciada em 2008. Mesmo assim, os economistas ouvidos pela FOLHA não contestam a credibilidade das agências e o foco na análise econômica. "É claro que a economia brasileira se deteriorou e o rebaixamento faz sentido. Não se pode afirmar que há algum interesse político por trás", diz a economista Natália Cotarelli, do Banco Indusval & Partners (BI&P).
Diretor presidente do Instituto de Pesquisa de Mercado Fractal, Celso Grisi diz que todos acreditavam na pujança dos EUA na época. "Apenas poucos bons teóricos previram esse cenário anteriormente. Eles eram desacreditados pela visão um pouco apocalíptica, mas ganharam respeito depois da crise."
Todos consideram que as agências perderam credibilidade, mas a recuperaram com o tempo. "Pode ser que exista alguma influência política, mas, em termos de avaliação de risco de crédito, as análises fazem sentido", diz o analista da Guide. (Com Agência Estado)


