OPINIÃO
Investimento no pessoal é fundamental


Paulo Toledo

Um empresário amigo, em uma conversa informal, listava as ‘‘despesas’’ que estava tendo com o pagamento de cursos e treinamentos para seus empregados. Fazia aquilo como se estivesse fazendo um favor a cada um de seus parceiros do dia a dia. Eram gastos e mais gastos...
Em certo ponto da conversa, perguntei-lhe como estava sua empresa no mercado, seu crescimento e produtividade. Não tive qualquer surpresa quando, animadamente, me relatou que, apesar da crise, o momento era bom e seus produtos vinham ganhando mercado em razão da qualidade que estava implementando, graças ao trabalho e mudanças implantadas por alguns de seus empregados.
Então, muito sutilmente, questionei se as ‘‘despesas’’ que havia relatado estavam dando retorno. Talvez, sem perceber onde eu queria chegar, euforicamente contou que tinha ‘‘gasto um dinheirão’’ com o curso, em São Paulo, de um dos empregados que acabou sugerindo as mudanças que, agora, estavam fazendo a diferença para ganhar mercado.
Esse breve relato serve para mostrar que muito empresários ainda vêem a formação de seus empregados, seus parceiros nos sucessos ou nas derrotas, como uma despesa, daquelas que dói no bolso, para a empresa.
Na verdade, esse dinheiro é um dos melhores investimentos que estão fazendo, pois, normalmente, há retorno, na qualidade do trabalho, na melhora do ambiente da empresa e, até, na relação de fidelidade que o trabalhador tem com a empresa que o considera um parceiro e se preocupa em fazê-lo melhorar a cada dia.
É preciso lembrar, sempre, que um CNPJ (CGC) é formado por um grande número de CICs. Pode até parecer frase feita, mas o maior patrimônio da empresa é seu trabalhador. É engraçado perceber que, ainda hoje, alguns empresários tratam os trabalhadores como se fossem uma peça descartável, aquela que uma simples substituição pode repor e fazer o mesmo trabalho sem diferença. Tenho percebido que, normalmente, as empresas que adotam esse tipo de mentalidade são aquelas que mais facilmente passam por dificuldades vivem crises e sofrem em implantar processos que aumentem a qualidade do produto. Geralmente, são as que caminham mais rapidamente para a morte.
Vale ressaltar que, é claro, existem empresários que estão conscientes do valor de seus trabalhadores, investindo neles, submetendo-os a treinamentos, cursos e outras fontes de formação. Esses não vêem o trabalhador como uma despesa, mas como uma peça fundamental de sua empresa, que pode ajudá-la, com sua dose de contribuição.
Acho que não preciso dizer que são essas empresas é que, geralmente, estão crescendo, tendo bons resultados, apesar das dificuldades econômicas. São esses trabalhadores-parceiros, que se aliam aos patrões na busca de soluções e viabilização da empresa.
Então, que me desculpe meu amigo empresário, que vai ler esse artigo, o treinamento e a formação dos empregados não são despesas, mas um ótimo investimento que, geralmente, tem um custo-benefício altamente favorável à empresa que quer continuar vivendo e avançando nessa realidade de economia globalizada.
PAULO TOLEDO é jornalista

mockup