O fluxo de investimento direto no Brasil está voltando ao nível esperado e não deverá ser suspenso mesmo que o cenário externo piorar e os juros norte-americanos aumentarem, acredita Sérgio Werlang, diretor de Política Monetária do Banco Central (BC). Ele disse ainda que a taxa dos depósitos compulsórios dos bancos no BC poderá cair para 20% no final do ano.
Em teleconferência realizada pela Broadcast, Werlang lembrou que o déficit brasileiro em conta corrente está sendo inteiramente financiado por investimentos diretos, o que ‘‘é a situação ideal que um país deve ter para financiar seu balanço de pagamentos,’’ em sua opinião.
O ingresso de capitais externos tem sido afetado pelos juros americanos, admitiu o diretor do BC, mas com impacto muito mais suave, pois o País é muito menos dependente de capitais de curto prazo: ‘‘Hoje, só temos empréstimo de curto prazo para linhas de comércio, o que não tem nenhuma relação com arbitragem financeira. Esse capital tem de existir de qualquer forma para a atividade comercial. O volume está um pouquinho inferior ao esperado. Por outro lado, o câmbio está um pouquinho mais desvalorizado’’, ele afirmou.
Essa alteração no fluxo de capitais já é resultado de mudanças nas carteiras de investimento em várias partes do mundo. Em abril, de acordo com Werlang, o ingresso de investimento direto ficou abaixo do esperado, mas até 20 de maio entrou US$ 1,5 bilhão, bem mais perto que o previsto anteriormente..
Na frente do crédito, o diretor do BC afirmou a intenção do governo de desoprimir o sistema financeiro, permitindo sua alavancagem. Para isso, o porcentual do depósito compulsório dos bancos continuará sendo reduzido. ‘‘Podemos imaginar que em meados de 2001 o depósito compulsório estará entre 10% e 15%,’’ prometeu.
Outras iniciativas para permitir a expansão do crédito são a desregulamentação da renda fixa, a introdução de classificação de crédito, a consolidação global dos balanços, que entra em vigor no dia 31 de julho, estão reduzindo o risco de mercado.
‘‘Vamos mexer no coeficiente da Basiléia, hoje de 11%’’, afirmou. Werlang disse também que o segmento livre da economia brasileira tem registrado expansão de crédito, e ‘‘vai aumentar ainda mais, pois estamos liberando as amarras.’’

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