Investimento não acompanha retomada do crescimento
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sexta-feira, 28 de maio de 2004
André Palhano<br> Agência Estado 
São Paulo - Os números do investimento produtivo no Brasil ainda não apontam na direção de um crescimento econômico sustentado para os próximos anos. O bom número do Produto Interno Bruto (PIB) do primeiro trimestre divulgado na quinta-feira mostrou desaquecimento na taxa de Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), principal indicador do investimento no País, que crescera respectivamente 3,2% e 4% nos dois últimos trimestre de 2003 e reduziu esse crescimento para 2,3% no primeiro trimestre deste ano.
Os investimentos diretos estrangeiros, outro indicador importante, têm registrado volumes pífios nos últimos meses. ''Não temos sinais de que o crescimento econômico que estamos vendo será sustentável, assim como por outro lado também não há ainda sinais de que isso seja incontornável'', afirma o economista Armando Castelar Pinheiro, do Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Ipea). Em uma economia aquecida, a falta de investimentos implica em riscos de a capacidade produtiva das indústrias esbarrar em gargalos - por exemplo a falta de máquinas, a oferta de energia elétrica etc . O resultado vem na forma de desequilíbrio nas contas externas e na inflação, abortando a recuperação da economia.
Há consenso dentro e fora do governo de que o apetite do setor privado para investir anda fraco, basicamente restrito ao setor exportador. ''Tenho visto empresários que estão preferindo não atender uma parcela de seu mercado do que investir em um projeto de ampliação e depois correr o risco de ter problemas de capacidade ociosa'', afirma o vice-presidente do Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri), Roberto Teixeira da Costa. ''O empresariado precisa de uma sinalização mais consistente sobre o crescimento para restaurar uma nova fase de investimentos e isso não acontece somente com a divulgação do número de um trimestre'', acrescenta.
Como a indústria doméstica tem hoje uma boa margem de capacidade ociosa, o fato de o crescimento puxar o investimento não figura como um problema relevante no curto prazo. Segundo a última Sondagem Conjuntural da Fundação Getúlio Vargas (FGV), de abril, a indústria de transformação utiliza hoje 82% de sua capacidade instalada, embora distribuídos de maneira não uniforme entre os setores. Ou seja, existe um espaço relevante de ocupação para absorver a retomada da atividade mesmo sem o investimento. Mas não por muito tempo.


