Investimento na produção aumenta procura por leasing
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segunda-feira, 30 de junho de 1997
Cristine Pieske Curitiba 
A procura por operações de leasing vem crescendo no Brasil nos últimos meses. A responsável direta por este crescimento, segundo especialistas do setor, é a estabilidade da economia, que está impulsionando os investimentos na produção.
Em março deste ano, o volume total das operações de leasing, contabilizadas pela Associação Brasileira de Leasing (Abel), somava US$ 546,1 milhões. Em maio, o relatório da associação - divulgado na semana passada - já dizia que os financiamentos por leasing tinham chegado a US$ 848,3 milhões.
Os maiores responsáveis por este crescimento são as empresas de transporte e o setor agrícola, favorecido pela safra recorde deste ano. Quase toda a carteira de leasing dos bancos é destinada ao financiamento de veículos e caminhões.
O gerente de operações do Transbanco, Ladislau Zavadil Neto, afirma que muitas empresas também recorrem às operações de leasing para obter benefícios fiscais, já que a operação é contabilizada como um aluguel.
O gerente do Transbanco, responsável pelo financiamento de veículos Volvo, destaca também as vantagens da operação de arrendamento mercantil em comparação a outras operações de crédito. As taxas são muitos parecidas, mas a principal vantagem é a não-incidência do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), o que implica num diferencial importante no custo final do financiamento.
No Banco do Brasil, a diferença entre os custos das operações tem provocado a migração de empresas da carteira de CDC para o leasing, na tentativa de fugir do impacto do IOF. Segundo o assessor de crédito geral do banco, Evaldo Emiliano de Souza, as operações de leasing não estão mais restritas apenas ao financiamento de veículos. Hoje, bens como computadores e equipamentos odontológicos já ocupam boa parte da carteira.
Nos Estados Unidos, afirma o assessor, as operações de leasing são mais comuns, porque a mentalidade dos empresários é alugar bens e não comprar. O leasing é a melhor maneira de ter equipamentos sem diminuir o capital de giro, afirma.
O aumento da procura pelo leasing também é atribuído pelo assessor de crédito geral do Banco do Brasil à estabilização da economia, que trouxe atrativos às operações de longo prazo. Antes, com a flutuação constante das taxas de juros, os consumidores evitavam contrair financiamentos com prazos maiores, temendo não poder honrar os financiamentos. Os índices de inadimplência, consequentemente, também diminuíram.
O interesse dos consumidores estimulou o Banestado a reabrir sua carteira de arrendamento, que estava quase inativa nos últimos meses. A Banestado Leasing reabriu os financiamentos para automóveis, utilitários, caminhões, ônibus, máquinas agrícolas e equipamentos novos de informática. Cerca de 80% da carteira é composta por financiamentos de veículos.


