Brasília - À época em que a operação foi feita, uma denúncia anônima chegou ao então chefe da Casa Civil Pedro Parente. O caso foi remetido ao ex-ministro da Fazenda Pedro Malan que, por sua vez, pediu explicações ao então presidente do IRB Demosthenes Madureira de Pinho Filho. Em resposta, o presidente do IRB encaminhou o ofício 121/2002 com as justificativas para a operação.
''A verdade é que a realocação de recursos ora realizada concede ao IRB uma rentabilidade expressivamente superior àquela que vinha sendo percebida no portfolio anterior (...) Adicionalmente, a nova aplicação oferece a garantia do retorno íntegra, do capital investido, independentemente do comportamento do portfolio das aplicações --algo absolutamente inédito, como já registrado -e que, por si só, já justificaria a decisão tomada'', afirmou o então presidente do IRB.
O relatório do TCU contesta as argumentações apresentadas pela presidência do IRB. A análise do Tribunal questiona qual seria a vantagem financeira de receber o valor igual ao aplicado depois de cinco anos de maturação do investimento. ''O cidadão comum, caso soubesse dessa vultosa aplicação, perguntaria: se os US$ 240 milhões pertencessem ao ex-diretor financeiro, ele deixaria esse montante investido em um fundo, por cinco anos, para no final ter a garantia de receber os mesmos US$ 240 milhões?'', afirma o relatório.
Em explicação aos deputados, em especial os do PT, que desconfiaram da operação, a diretoria do IRB apresentou a expectativa de rentabilidade dos investimentos de 10,32% para o dinheiro aplicado na Société Générale, de 10,62% no Bayerishe Landsbank e de 8,68% no Royal Bank of Scotland.
Passados quatro anos, conforme apuração do TCU, as aplicações na Société Générale renderam 11,04% , no Bayerishe Landsbank, a rentabilidade é negativa de 2,67% e no Royal Bank of Scotland, acumulado no período, o investimento gerou 0,83% de rendimento para o IRB. Neste ano, as taxas de rentabilidade são negativas nas três instituições.
A assessoria do ex-ministro da Fazenda Pedro Malan, hoje no Unibanco, solicitou a documentação referida para análise. Somente depois de ler o material, Malan deverá decidir-se por explicar o caso. Desde já, em função das denúncias, a CPI dos Correios terá uma subcomissão voltada para a análise da gestão do IRB.

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