São Paulo - O investimento desbancou a exportação e assumiu a liderança como fator mais dinâmico para o crescimento a partir do terceiro trimestre. Dos 6,1% de expansão do Produto Interno Bruto (PIB) de julho a setembro, o investimento respondeu por quase metade da taxa (47%) ou 2,8 pontos porcentuais. No mesmo período, a exportação contribuiu com 39%, nas contas do economista Francisco Eduardo Pires de Souza, coordenador do Grupo de Conjuntura do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (IE/UFRJ). ''A virada foi no terceiro trimestre'', observa.
Souza destaca que o fato de o motor do crescimento ter se deslocado para o mercado doméstico é uma mudança qualitativa importante. ''A economia mundial teve um crescimento enorme em 2004 e isso não vai se repetir em 2005.''
Ele também observa que o atual ciclo de recuperação iniciado no terceiro trimestre de 2003 é diferente dos dois últimos períodos de retomada porque a taxa de acréscimo do investimento supera a velocidade do crescimento do PIB, o que dá mais confiança aos empresários para ampliar a capacidade de produção. A alta dos juros básicos a partir de setembro criou incertezas no cenário, ressalta o economista da Confederação Nacional da Indústria (CNI) Paulo Mól. Mas Souza crê que a elevação do custo financeiro só compromete o investimento se a alta dos juros continuar em 2005. (M.C.)

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