Curitiba - As 31 empresas de porcelana e cerâmica de Campo Largo tem um motivo a mais para comemorar o sucesso da 20 Feira da Louça, que se realiza até o próximo domingo na cidade. O setor aponta que o fantasma da indústria chinesa está finalmente se afastando. ''Investimos em qualidade e tecnologia. Por isso quem conhece porcelana compra o produto nacional'', afirma o presidente do Sindicato dos Produtores de Louça do Paraná, José Canisso. Para ele, a crise que afetou o setor nos últimos anos está ficando para trás.

Se a competição com o produto chinês, que é mais barato, afetou a indústria, afetou também a vida econômica de Campo Largo. É que as empresas da cidade respondem por 90% do mercado de porcelana e 30% do mercado de cerâmica de mesa do Brasil. São 450 milhões de peças produzidas por ano que movimentam cerca de R$ 1 bilhão. Sozinha a indústria do setor é responsável por 60% da arrecadação de Campo Largo com tributos.

''O consumidor percebeu que comprar o produto chinês tem suas desvantagens. Não há continuidade nas linhas. Se quebra uma peça, não tem como repor'', avalia o gerente da Polovi, Valdir Finger, loja da fábrica da Germer - segunda maior empresa do setor na América Latina. Além disso, defende Finger, o consumidor brasileiro está mais seletivo. ''Ele não olha mais só o preço, vê que não vale a pena pagar barato por um produto de baixa qualidade'', aponta.

Na Polovi, especializada em porcelana de primeira linha, a concorrência chinesa ficou para trás. ''A primeira linha deles nem chega aqui'', defende Finger. Para ele, ''a febre do R$ 1,99 não prosperou no Brasil''. ''É claro que os chineses incomodam não só a indústria da porcelana, mas toda indústria que tem que competir com eles porque a mão de obra lá é muito mais barata, mas em termos de qualidade não tem comparação do produto chinês com o nosso'', completa.

Para Canisso, o setor teve que aprender muito para concorrer com os chineses. ''É um mercado no qual é preciso ir atrás, conquistar espaços'', diz. A indústria da cidade tem se esforçado para conquistar mais espaço tanto no Brasil quanto no exterior. Cerca de 20% da produção nacional vai para exportação. Essa participação só não é maior porque o dólar baixo não favorece a indústria. ''Muitos contratos que tínhamos foram concluídos com prejuízo para as empresas'', conta.

Mas se por um lado o dólar baixo prejudica a exportação, por outro o mercado nacional está cada vez mais atraente. ''Nós estimamos o mercado potencial no Brasil em 60 milhões de pessoas'', informa. Canisso acretida que a indústria tem sido beneficiada com o aumento do poder aquisitivo da população. ''Só que somos os últimos a entrar na lista de compras e os primeiros a sair'', avalia. Mesmo assim, as louças de porcelana representam 30% do mercado nacional de louças. Outros 50% do mercado ficam com a cerâmica e o restante é dividido entre o vidro, o plástico e outras matérias-primas.


SAIBA MAIS

As indústrias de porcelana de Campo Largo produzem 450 milhões de peças por ano e movimentam cerca de R$ 1 bilhão

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