O setor da Construção Civil está animado com as oportunidades relacionadas a obras de habitação popular em Londrina. Um levantamento realizado pelo Sinduscon Paraná Norte com 22 construtoras e incorporadoras da região prevê a construção de 18 mil moradias da modalidade com investimento de R$ 5 bilhões em cerca de três anos. A apuração foi feita em uma reunião técnica do sindicato.

Imagem ilustrativa da imagem Investimento em habitação popular deve chegar a R$ 5 bi em Londrina
| Foto: Gustavo Carneiro

A estimativa é que o investimento gere em torno de R$ 350 milhões em impostos municipais, e ao longo de um ano, sejam criados mais de 4 mil empregos diretos. "Este valor de R$ 5 bilhões é referente apenas aos projetos que estão aguardando na prefeitura. Entretanto, se levarmos em conta aqueles que estão em desenvolvimento inicial e os apartamentos de alto padrão, a expectativa de investimentos é muito maior", diz o presidente do Sinduscon, Sandro Marques de Nóbrega.

De acordo com ele, o número reflete o represamento das obras, que estavam paralisadas até 2019. "O mercado estava paralisado até 2019 e voltou a caminhar no começo do ano passado. No final de 2019, projetos que estavam paralisados foram desengavetados e esses números refletem um represamento que estava acontecendo." Os projetos se encontram na Secretaria de Obras do município à espera de aprovação e, segundo as construtoras e incorporadoras, a expectativa é que as obras comecem ainda este ano.

O presidente do Sinduscon diz esperar que o município dê celeridade às aprovações dos projetos. "Dependemos das aprovações dos alvarás e licenças ambientais urbanísticas para iniciar a execução das obras. As empresas não começam as obras sem os alvarás." Com a oferta de novos imóveis, a expectativa é que a pressão dos aluguéis sobre as despesas familiares diminua, acrescenta Nóbrega.

TENDÊNCIA

O aumento da demanda segue o ritmo do comportamento observado no cenário nacional. Apesar do agravamento da pandemia, os brasileiros aumentaram em dez vezes a procura por um imóvel, na comparação entre março de 2021 e de 2020, de acordo com levantamento feito pelo DataZAP, do ZAP+. Quatro em cada dez brasileiros afirmaram que sua busca por uma nova casa aumentou, segundo o estudo feito com 2.224 usuários dos sites. Em março de 2020, a proporção era quatro em cada cem.

Para Edivaldo Constantino, economista do DataZAP, a demanda reprimida por habitação no país, aliada aos juros baixos para financiamento imobiliário, contribuiu para essa intensificação. "Os juros brasileiros atingiram o menor patamar da história, e mesmo com a recente tendência de alta da Selic [que subiu de 2,75 para 3,5% ao ano], a tendência é que ela permaneça em patamar baixo, sem ameaçar o dinamismo do mercado", afirma.

Apesar do aumento da Selic, as taxas do financiamento imobiliário se mantiveram em 6,9%, em média, e houve recorde no volume de dinheiro liberado para essas operações, de R$ 43,1 bilhões, segundo a Abecip (associação de entidades de crédito imobiliário). Segundo Constantino, as condições de compra podem mudar mais para o final do ano e em 2022, já que o risco fiscal do país pode influenciar a taxa de juros.

Outro componente que preocupa é a inflação dos insumos da construção civil, que em março chegou a 11,95%, contando os últimos 12 meses. "Fica mais difícil para as incorporadoras conseguirem margem de lucro, o que pode influenciar a dinâmica de lançamento de novos imóveis, mas temos elementos para dizer que o mercado tende a permanecer com vigor e dinamismo ao longo de 2021", afirma. (Com Folhapress)