A valorização do dólar e do ouro voltou a atrair a atenção dos investidores - no ano, o dólar comercial acumula alta de 17,27% e o ouro, 28,84%. O interesse aumentou também pelo desapontamento dos investidores com as perdas que o ajuste dos preços dos títulos públicos a seu valor de mercado provocaram nas cotas e, portanto, na rentabilidade dos fundos DI e de renda fixa combinado com o agravamento de incertezas políticas. Existe certo temor entre investidores de que o novo governo, na virada do ano, renegocie a dívida pública que implique algum calote a quem está abraçado em títulos públicos.
A combinação desses fatores tem levado os investidores ao dólar e ao ouro, tradicionalmente um refúgio considerado seguro em momentos de insegurança político-econômica. A idéia, no caso, é tentar aliar rendimento com proteção contra eventual risco de tungadas.
A questão é que, pelo atual nível de preço, R$ 2,716 na sexta-feira, o dólar é considerado caro, o que fortaleceria o risco de perda, ainda que o quadro de incertezas se mantenha à frente. Existiria o risco de comprar caro o dólar e vender por preço menor, até porque o Banco Central reforçou a munição e entrou em campo para conter a persistente alta de preços.
Alguns analistas avaliam, contudo, que o BC não tem meios para neutralizar a incerteza eleitoral, que seria o principal fator de pressão sobre o dólar. Outros consideram que o dólar terá fôlego enquanto permanecer a esticada da taxa de risco país, indicador que mede a confiança do investidor estrangeiro no país. Quanto mais alta essa taxa, mais gás teria o dólar para subir, já que seria menor a oferta de moeda americana na praça. O risco país fechou a semana em 1.315 pontos-base.
O diretor da área de Asset Management do BNL, Cláudio Lellis, sugere a aplicação de parte dos recursos em fundo cambial quando o dólar recuar mais um pouco. Esses fundos rendem a variação do dólar mais determinada taxa de juros.

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