São Paulo - A turbulência político-eleitoral teve impacto no mercado financeiro em setembro. Pela primeira vez no ano, o dólar comercial encerrou um mês na dianteira do ranking dos investimentos mais rentáveis. A moeda americana subiu 1,21% no período. Ontem, fechou cotada por R$ 2,171. Logo atrás vieram os fundos DI e de Renda Fixa, com valorização de 1,20% no período.
Analistas do mercado financeiro explicam que a tensão pré-eleitoral foi a grande responsável pela subida do dólar. ''Foi uma tendência de curtíssimo prazo. Eu não apostaria em dólar de jeito nenhum'', disse o economista-chefe do Banco Pátria de Negócios, Luís Fernando Lopes. Ele ressaltou que o forte vaivém das cotações das commodities no mercado internacional também puxou para cima a moeda americana.
Seu colega Marco Antonio Maciel, economista-chefe do Banco Banif de Investimentos, também credita a alta da moeda americana à volatilidade que se seguiu ao escândalo do dossiê contra políticos do PSDB. Ambos avaliam que o bom desempenho da balança comercial e a própria definição do panorama eleitoral devem fazer com que a tendência para o dólar volte a ser de queda. Como, aliás, tem ocorrido ao longo do ano. Para se ter uma idéia, em três dos nove meses do ano até agora, a moeda americana ocupou a rabeira do ranking de investimentos. No acumulado do ano, o dólar comercial tem perda de 6,62% ante o real.
Poupança - A queda da taxa básica de juros já tem sido sentida por alguns fundos de investimento. Nesse cenário, Lopes chama a atenção do investidor para a taxa de administração do fundo onde tem seu dinheiro aplicado. ''Se for superior a 1%, 1,5%, a poupança começa a ser competitiva, uma vez que não cobra essas taxas e não tem incidência de Imposto de Renda'', explicou.
Em setembro, a caderneta de poupança apresentou rentabilidade de 0,65%. No ano, acumula alta de 6,22%, ante 11,56% dos fundos de Renda Fixa e 11,52% dos fundos DI. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) também foi afetada pelo vendaval das eleições, mas conseguiu se recuperar na última semana do mês e acabou encerrando setembro com ligeira alta, de 0,60%. No ano, a bolsa paulista acumula valorização de 8,95%.
O ouro, que durante boa parte do primeiro semestre foi a vedete entre os investimentos no País e no resto do planeta, recuou 5,03% em setembro. O ganho no ano, que chegou ao pico de 28,5% no fim de maio, encerrou setembro em 7,51%.

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