Investimento em Comunicação é estratégico para empresas
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terça-feira, 03 de junho de 1997
Carina Paccola 
Josoé de CarvalhoComunicadoresSérgio Xavier, Armando Medeiros, Ruy Altenfelder, Paulo Nassar e Cláudia Romariz, ontem na FolhaA comunicação hoje é tão importante que deve ser considerada estratégica, como os departamentos de finanças e de mercado, para os resultados da empresa, - diz o presidente da Associação Brasileira de Comunicação Empresarial (Aberje), Ruy Altenfelder, que está em Londrina para o 6º Simpósio Aberje de Comunicação Empresarial. O evento será realizado hoje, a partir das 8 horas, no hotel Parthenon.
Os governos, as empresas e as entidades que não se comunicarem internamente e com seus públicos alvos ficam para trás e tendem a desaparecer, afirma Altenfelder. Ele esteve ontem na Folha acompanhado do secretário executivo da Aberje, Paulo Nassar, que está lançando o livro A Comunicação da Pequena Empresa; do assessor de comunicação empresarial da Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (Chesf), Sérgio Xavier; e de Armando Medeiros de Faria, da Secretaria Executiva de Comunicação do Banco do Brasil.
O desenvolvimento de tecnologias - lembra Paulo Nassar - possibilita a descentralização do modo de produção de comunicação. Pequenas gráficas têm equipamentos capazes de produzir material de comunicação com qualidade; aparelhos de televisão também não estão concentrados só em grandes produtoras. A comunicação hoje não se dá apenas via jornal e revista, ela é hoje multimídia. Isso facilita o processo de comunicação, diz.
A Chesf, por exemplo, já está utilizando fibras óticas para ligar as suas unidades. Usando de alta tecnologia e de sistemas mais simples, como o cordel, a empresa estatal tem uma grande preocupação na comunicação direta com a comunidade. Para se comunicar com seus 8 mil funcionários, a Chesf lança um jornal diário, que tem também duas unidades editadas em braile dirigidas para dois trabalhadores cegos da empresa. O jornal também pode ser ouvido por eles com sintetizadores de voz. Esse é um exemplo da nossa preocupação com o direito do cidadão de receber informação, diz Xavier.
Outro caso que deve ser apresentado pela Chesf hoje no simpósio é o trabalho de comunicação realizado pela empresa com os moradores de uma favela vizinha à sede da estatal, em Recife. Há uns três anos, a política da empresa era reforçar a segurança, levantando muros para se proteger da favela, conta Xavier. Com o Comitê da Cidadania, lançado em todo o País, a Chesf adotou a favela e investiu na escola e em infra-estrutura para os moradores. Este mês, a Chesf vai inaugurar uma internet comunitária na favela. No posto comunitário, a empresa instalou um computador e vai colocar técnicos à disposição dos moradores, três vezes por semana, para ensinar como acessar a Internet. Esse trabalho é em parceria com a estatal de telefonia em Pernambuco.
Armando Medeiros, do BB, afirma que mesmo com mais de 200 anos de vida, o Banco do Brasil é extremamente preocupado com a comunicação. Empresas nascem e morrem a todo momento. Mesmo sendo uma instituição tradicional, o BB considera a comunicação estratégica. Este ano, o BB em parceria com a Aberje promove o 4º Seminário de Comunicação, que discute a comunicação emprearial. O Banco tem a peocupação de se manter sempre de portas abertas para a imprensa, que é fundamental no processo de conquista do consumidor, diz.
Ruy Altenfelder, presidente da Aberje, ressalta que um dos objetivos da entidade é aprimorar a formação dos profissionais de comunicação com cursos e outros programas. O simpósio faz parte dessa política, diz. Outro trabalho da Aberje, segundo Altenfelder, é a reunião mensal entre empresas e profissionais de comunicação para discutir um grande case para aperfeiçoar as relações das empresas/imprensa/consumidor. A Aberje criou ainda um Conselho de Comunicação Social, formado por publicitários, jornalistas, empresários, cientistas políticos e teóricos da comunicação, para debater a comunicação. Na última reunião do Conselho, o tema debatido fo a importância da imagem do Brasil no exterior. Além do aprimoramento dos profissionais de comunicação, a Aberje é uma entidade cidadã, que quer opinar sobre os problemas nacionais e ajudar a propor políticas para o País.


