Agência Estado
De São Paulo
Persiste o otimismo com a perspectiva de valorização da bolsa, a despeito do expressivo avanço das ações no ano. Para boa parte dos especialistas, entre eles o diretor do Private Bank do Banco Fleming Graphus, Carlos Eduardo Castiglione, a recente retomada de alta da bolsa sugere apenas o início de nova etapa de valorização que pode ser ampliada no ano que vem pela maior participação do capital estrangeiro.
Castiglione comenta que, embora as ações se tenham valorizado acentuadamente desde novembro, o ingresso de capital estrangeiro, previsto para o mês passado, não se materializou na proporção esperada. Ele atribui a alta em curso da bolsa, em linhas gerais, a três movimentos.
O pontapé inicial de valorização, em novembro, foi dado pelas compras de fundos institucionais, de pensão e de previdência privada. Obrigados a cumprir metas atuariais num quadro de juro real atropelado pela inflação em alta, passaram a deslocar parcela dos recursos da renda fixa para a variável. A eles se juntaram, pouco depois, os fundos de ações, que começaram a acolher recursos de investidores frustrados com o juro negativo na renda fixa e seduzidos pela valorização crescente das ações.
O aumento de interesse por investimento em bolsa por parte dessa dobradinha de fundos empurrou o preço em dólar das ações para um nível equivalente ao de 1997, anterior à crise asiática. A repentina recuperação das cotações teria levado a uma reavaliação da decisão de compra pelo investidor estrangeiro, que preferiu alocar apenas parte do dinheiro ao mercado doméstico e deixar o ingresso de volumes maiores para o próximo ano.
Pela valorização com que acenam as bolsas, o investidor não deve deixar de destinar parte dos recursos para aplicação em ações por meio dos fundos, afirma Castiglione. A opção pelos fundos é importante porque neles o investidor conta com o auxílio de profissionais que acompanham o mercado e os papéis mais interessantes por setor, um cuidado necessário para uma Bolsa que já carrega expressiva valorização no ano.
A parcela restante dos recursos deve permanecer em aplicação de renda fixa, embora as taxas de juros estejam negativas e não esteja clara sua tendência.
A trajetória dos juros vai ser definida pelo comportamento da inflação. A hipótese mais provável é que o Comitê de Política Monetária (Copom) decida pela estabilidade da taxa básica em 19% ao ano, na reunião de quarta-feira, mas não estaria afastada também a possibilidade de ligeira elevação, se houver fortes sinais de que a inflação prossegue em elevação. Daí por que os fundos DI são os mais indicados, na medida em que a rentabilidade anda em cima da taxas correntes.
Dos três mercados básicos, o de ações, juros e dólar, os dois últimos apresentam a tendência menos clara e, portanto, são pouco atraentes para investimento, afirma. Os fundos cambiais, no caso, são indicados apenas como proteção do capital em dólar, para quem tem compromissos corrigidos pela variação cambial.Para analistas, retomada da alta agora é apenas início de nova etapa de valorização que pode ser ampliada no ano que vem
Arquivo FolhaTENDÊNCIA DE ALTAIngresso de capital estrangeiro ainda não aconteceu como o esperado e deve ser maior no ano que vem

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