O Banco Central está projetando uma queda nos investimentos diretos estrangeiros no Brasil de R$ 29,8 bilhões este ano para US$ 24 bilhões no ano que vem. O diretor de Política Econômica do BC, Ilan Goldfajn, ressalvou que, em 1999, quando os investimentos diretos ficaram em US$ 30 bilhões ninguém no mercado previa a repetição do número em 2000, mas uma diminuição. ‘‘Agora, prevemos uma redução nos investimentos diretos, mas é até possível que permaneça nos níveis de 2000 e de 1999’’, disse.
Pelas projeções do BC, porém, com a queda os investimentos diretos deixarão de ser suficientes para financiar o déficit em conta corrente do Brasil com o exterior, que inclui o saldo de todas as transações comerciais, as de serviços e transferências unilaterais. Este déficit foi de US$ 25,1 bilhões em 1999, ficará em US$ 25,3 bilhões em 2000 e aumentará para US$ 26 bilhões em 2001, segundo o BC. Como proporção do Produto Interno Bruto (PIB), o déficit em conta corrente caiu de 4,7% em 1999 para 4,2% em 2000, mas não foi calculado para 2001.
‘‘Os investimentos diretos cobrirão 92% do déficit em conta corrente no próximo ano’’, disse o diretor de Assuntos Internacionais do BC, Daniel Gleizer.
Ele rebateu os alertas de alguns economistas que consideram o déficit de transações correntes ainda alto em relação ao PIB e que o alto volume de investimentos externos diretos que o vem financiando poderá se converter em maior remessa de lucros e dividendos ao exterior no futuro. ‘‘Pela experiência internacional, não é razoável supor que um País estável e em crescimento em algum momento vá parar de obter investimento direto estrangeiro.’’
Para Gleizer, é preciso considerar que os lucros e dividendos gerados pelos investimentos diretos estrangeiros podem ser reinvestidos no País e não necessariamente enviados para o exterior. Mesmo assim, de acordo com as projeções do BC, o pagamento de lucros e dividendos ao exterior vai aumentar de US$ 3,6 bilhões neste ano para US$ 5 bilhões em 2001.
Dos US$ 24 bilhões de investimentos diretos projetados para 2001, US$ 4 bilhões são relativos às privatizações. Segundo Gleizer, as bandas C, D e E da telefonia celular deverão contribuir com cerca de US$ 3 bilhões. ‘‘Nós fazemos a lista das privatizações que estão para serem feitas e associamos uma probabilidade de elas ocorrerem em 2001 ou não. É uma estimativa conservadora’’, afirmou.
O BC está prevendo um aumento de 10,2% nas exportações e uma elevação de 7% das importações em 2001. O resultado seria a transformação do saldo comercial de um déficit de US$ 700 milhões em 2000 para um superávit de US$ 1 bilhão em 2001.

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