Metal precioso objeto de desejo ao longo da história, o ouro volta a ser cobiçado - agora por investidores de todos os portes - no mercado financeiro. De fato, a valorização da commodity é de brilhar os olhos. Dados do Banco Central apontam um crescimento de 256,5% nos últimos oito anos, atingindo US$ 1238 a onça troy (unidade de medida internacional que corresponde a 31,1 gramas de ouro) em 2010. Neste ano, o preço bateu um recorde, ultrapassando os US$ 1,5 mil, com a expectativa dos analistas que feche 2011 próximo aos US$ 2 mil.
Não é difícil explicar tal ascensão. As crises globais que vêm ocorrendo há três anos - a financeira nos Estados Unidos em 2008, na Europa em 2010 e a instabilidade política nos países do norte da África em 2011 - faz com que o metal se torne um 'porto seguro' para nações e investidores. ''Eles retiram o dinheiro da aplicação em ações, que têm grande probabilidade de queda em meio a crises, e aplicam no ouro'', explica Mauriciano Cavalcanti, sócio operador da OMDTVM, que faz a compra, venda e corretagem do produto em São Paulo e diversas cidades do País.
No Brasil, existem três formas das pessoas investirem em ouro: no mercado balcão - na qual é possível comprar a partir de um grama do metal -, na BM&F Bovespa, onde a aplicação mínima é de 10 gramas (mas as grandes movimentações são para quem investe 250 gramas) e em fundos de investimentos em bancos, que não trabalham com o ouro físico como nas outras duas opções. A valorização é tão surpreendente que cada vez mais pessoas comuns compram o metal, nem que seja para investir poucos gramas. Na OMDTVM, por exemplo, o volume de negociações há dois anos era de 200 gramas/mês e hoje passa dos 12 quilos/mês. ''A procura aumentou 2000% entre pequenos e médios investidores. O grama sai hoje por R$ 80 e a expectativa é que ultrapasse os R$ 100 nos próximos meses. Fazendo uma análise comparativa, apenas os imóveis valorizaram mais do que o ouro nos últimos anos'', compara Cavalcanti.
Entretanto, o ouro é um ativo que deve ser trabalhado pelos investidores a médio/longo prazo. O operador comenta que um período interessante para a venda é de no mínimo dois anos. Outro detalhe é que para realizar a custódia no Banco do Brasil é necessário ter pelo menos 250 gramas do metal, por isso, todo cuidado é pouco na hora de guardar o investimento. ''A chance de ganho é de 90% se o investidor souber esperar'' comenta Cavalcanti.
Keyler Carvalho Rocha, professor de finanças da Universidade de São Paulo, é prudente para falar sobre este investimento. Ele explica que o ouro está indo muito bem agora e que apesar das projeções otimistas, pode voltar a cair. ''É um ativo de risco que tem valorizado devido à crise mundial, mas que não sabemos como vai se comportar. As pessoas pensam muito na valorização, que é boa, mas não é garantida'', avalia ele.
Mas o economista admite que quem comprou há um ano atrás acabou fazendo um bom negócio e se a pessoa já tem certo conhecimento em investimentos pode aplicar uma parte em ouro. ''Eu aconselho a aplicar na BM&F, onde você já tem a cotação e tem o produto custodiado na própria bolsa. No balcão, o investidor pode sofrer algumas vezes com a falta de transparência e segurança. É preciso tomar cuidado''.
Joias
Investir em ouro em barras é completamente diferente de comprar uma joia que contém este metal precioso. José Pelayo, da Pelayo Joias, explica que os clientes que procuram suas peças não pensam na valorização do produto. ''A pessoa que compra tem o intuito de usar as joias. O valor do ouro o cliente não perde, mas a peça acaba saindo de moda e perde, por exemplo, o valor agregado da mão de obra e dos impostos'', explica ele.
Entretanto, os consumidores têm uma ótima saída para aproveitar por muitos anos o ouro contido em suas joias. Pelayo comenta que diversos dos seus clientes acabam redesenhando o produto depois de certo tempo. ''Desta forma, o cliente volta a ter uma joia moderna e paga bem menos por isso'', completa.

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