Investimento cai pelo 3º ano consecutivo na AL
PUBLICAÇÃO
domingo, 13 de junho de 2004
Agência Folha 
São Paulo - O fluxo de investimentos estrangeiros diretos na América Latina caiu pelo terceiro ano consecutivo. O patamar de US$ 109 bilhões que a região conseguiu atrair em 1999 despencou para US$ 49 bilhões no ano passado - uma queda de 55% nas captações anuais.
Investimentos estrangeiros diretos são recursos externos usados para a criação de novas empresas ou na participação acionária de empresas já existentes.
Brasil e México lideraram as reduções na captação desse tipo de recurso e ficaram praticamente empatados no ano passado 2003: atraíram US$ 10,1 bilhões e US$ 10,7 bilhões, respectivamente.
Mesmo assim, os dois países continuam a ser os mais acolhedores aos olhos das empresas transnacionais. Uma sondagem da Unctad, que também integra o relatório, mostra que o Brasil lidera o ranking de países que mais atraem empresas externas.
Mas ao longo dos últimos anos, a América Latina tem assistido ao encolhimento da sua participação na absorção de investimentos dentro do grupo dos países em desenvolvimento. Em 1999, a fatia da região era de 48%. Em 2003, o percentual declinou para 28%.
Os dados são de relatório sobre investimentos para a América Latina e o Caribe divulgados ontem durante a 11 Conferência da Unctad.
Segundo James Zhan, chefe da divisão de investimentos da Unctad, os principais fatores da derrocada da região são externos. ''Os países-sede das empresas transnacionais investiram menos por causa da deterioração das suas condições econômicas'', avaliou. Por exemplo, a União Européia, um dos maiores investidores na região, ainda mantém um crescimento econômico minguado.
Outro fator da perda de fôlego de investimentos na região é um movimento cíclico de retorno à ''normalidade''. ''No começo dos anos 90, os fluxos de investimento foram muito alavancados pela fase de privatizações'', disse Karl Sauvant, diretor da divisão de investimentos da Unctad.
Mas a instituição não exime os países latino-americanos de uma certa parcela de culpa no cenário de escassez de recursos. O estudo argumenta que o Produto Interno Bruto (PIB) desses países teve uma performance pouco atraente. Entre 1999 e 2003, a taxa de crescimento média ficou em 1,2%. No mesmo período, a Ásia registrou crescimento de 6,3%.
De acordo com Zhan, neste ano a América Latina deve crescer 3,7%, o maior ritmo de expansão desde 1997. Esse crescimento, segundo ele, deve sustentar a recuperação.


