Rio Operações envolvendo o capital estrangeiro foram concluídas ou estão em curso, este ano, na aviação, varejo, área financeira, seguros e de telecomunicações, para citar apenas alguns setores. Semana passada, a espanhola Mapfre venceu a disputa com a francesa Cardif em leilão e levou o controle (51%) da Nossa Caixa Seguros e Previdência, subsidiária do Banco Nossa Caixa.
No início deste mês, o grupo francês Casino aumentou presença no capital do Pão de Açúcar. A portuguesa TAP conduz um plano de capitalização da Varig, na qual poderá ficar com até 20% das ações. Na área financeira, o banco americano Goldman Sachs negocia associação com o Pactual, um dos últimos bancos de investimentos exclusivamente nacionais.
Há mais. No setor de bebidas, a Coca-Cola estuda eventual aquisição da capixaba Sucos Mais, para ampliar seu portfólio de produtos no País. No fim do mês passado, a Telecom Italia assinou acordo para a compra das participações do Banco Opportunity na cadeia de controle da Brasil Telecom e negocia o mesmo com os demais sócios da operadora.
Todo esse interesse tem uma explicação. No início desta década, além das incertezas internas, os escândalos contábeis em grandes corporações no exterior, o ajuste nas Bolsas de Valores internacionais e os ataques terroristas nos EUA tiraram a capacidade de investimento dos estrangeiros. De dois anos para cá, porém, o cenário é de retomada, juros baixos no mercado internacional e liquidez externa. ''O Brasil está em foco porque é uma das maiores economias do mundo e voltou a crescer'', diz Antônio Corrêa de Lacerda, professor da PUC/SP.
Some-se a isso nova ordem global: a pressão por crescimento em cima das companhias internacionais. Pesquisa da IBM Business Consulting Service com os principais executivos de 450 corporações no mundo concluiu que o maior desafio atual é a expansão e a conquista de mercados. ''O grande ganho das pessoas que investem é a valorização das ações. Esta valorização está muito ligada a domínio de mercado, liderança, participação em áreas geográficas importantes'', diz Sérgio Lozinsky, sócio da consultoria.
Há, também, maior fôlego de empresas nacionais, sobretudo as que ganharam com o forte avanço recente das exportações ou já têm atuação internacionalizada. No mês passado, a Camargo Corrêa assinou acordo para a compra da Loma Negra, principal cimenteira argentina, por US$ 1,025 bilhão. Em 2004, a americana Cargill anunciou a venda de suas operações de suco no País para as brasileiras Citrosuco e Cutrale. A Petrobras adquiriu negócios de combustíveis e gás (GLP) da italiana Agip no País.
A questão é que o grupo de é pequeno, disse Lacerda, citando Vale do Rio Doce, Gerdau e Weg, entre outras. Estas companhias estão em ''setores de competitividade inegável e são empresas muito agressivas'', diz o especialista. (N.B.J.)

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