Um centímetro de cimento do Colossinho era disputado no grito e a cotoveladas pelas torcidas que lotavam o primeiro ginásio de esportes da região. Depois de mais de 35 anos, no entanto, a lembrança do antigo placar ostentando o resultado das partidas será substituída por uma placa de venda dos 22 lotes do terreno, que já foi cobiçado pelo poder público para a construção do teatro municipal.
Os 14.058 mil metros quadrados do imóvel entre as ruas Quintino Bocaiúva, Eduardo Benjamin Hosken, Paranaguá, Santos e Mossoró se tornou o pomo da discórdia judicial envolvendo o executivo municipal - que havia decretado a utilidade pública da área - e a empresa varejista norte-americana Wall-Mart.
Uma ação popular chegou a ser impetrada, solicitando o cancelamento do decreto do prefeito Nedson Micheleti.
A doação de 20 mil metros quadrados de uma área de 10 alqueires (236 mil metros quadrados), da antiga Anderson Clayton, onde, atualmente, funciona a multinacional Comércio e Indústria Brasileira Coinbra S/A, jogou uma pá de cal na polêmica, assentando os tijolos da nova destinação de um dos últimos espaços nobres desocupados na região central.
''Na quarta-feira saíram os registros dos 22 terrenos. O processo demorou porque precisávamos primeiro pedir o alvará de demolição das ruínas. Estamos preparando o painel e a agência já está com os preparativos para a campanha de venda. Queremos colocar a área no mercado na segunda ou, no máximo, na quarta-feira'', afirmou o imobiliarista Abílio Medeiros.
O preço da unidade métrica deve variar de R$ 500,00 a R$ 750, conforme a localização e o tamanho do lote, que vai de 490 a 862,5 metros quadrados. O imóvel pertence à KDV Participações Ltda.
Medeiros destaca que os lotes estão despertando o interesse de construtoras que desejam aproveitar uma das vocações da região, de crescimento vertical, com a construção de condomínios de alto e médio padrão. Investidores em imóveis também são alvos da campanha de vendas, que valorizará o potencial da região para empreendimentos comerciais, com a possibilidade da construção, inclusive, de galerias de lojas.
''Não tenho dúvida do sucesso do empreendimento. É a última grande área disponível na região central da cidade, com frente para cinco ruas. Com certeza o próprio empreendimento vai valorizar por si mesmo. Quem comprar estará fazendo um grande investimento'', avaliou Medeiros.
Há um ano e meio se discute o Plano Diretor de Londrina, que apontará as diretrizes para o município. O resultado do raio-X sobre a cidade deve ser apresentado até o próximo dia 29 aos vereadores que podem aprovar ou propor ajustes necessários.
O coordenador do Plano Diretor, Gilson Jacob Bergoc, que é mestre em Planejamento Urbano, afirma que o planejamento não tem uma definição exata sobre a área do antigo Colossinho. ''É complicado dizer assim, o que deve ser feito ali, mas precisamos manter e estimular aquele tipo de comércio que está naquela localidade'', afirmou Bergoc.
Um dos argumentos que o executivo utilizou para tentar barrar a transação do terreno do Colossinho com o Wall-Mart foi a ''defesa'' dos pequenos comerciantes daquela região. Apesar da discussão do Plano Diretor estar na fase final, antes de passar pelo crivo dos vereadores, e sem apresentar uma proposta para a área que esteve no vórtice de uma polêmica, envolvendo justamente a vocação da região do antigo Colossinho, Bergoc considera importante oferecer condições para o desenvolvimento do comércio daquele local.
''Existe uma preocupação de que aquela área mantenha as características e que possamos trazer melhorias para os comerciantes'', avaliou o coordenador do Plano Diretor, acrescentando que a arquitetura em Art Déco londrinense na Rua Quintino Bacaiúva precisa ser valorizada num projeto de consolidação daquela região.
''É uma área com atividades consolidadas e que tem uma população que mora ali há muito tempo e que tira dali o seu sustento. Historicamente, a região faz parte da história e da memória do município, como uma das principais saídas da cidade'', concluiu Bergoc.

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