Investidores se preocupam com turbulência política
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segunda-feira, 29 de março de 2004
Agência Estado 
Lima - O diretor-chefe de Análise Econômica e de Mercado do Citgroup, Thomas Trebat, disse ontem que a preocupação dos investidores estrangeiros não está focada na turbulência política que se arrasta há algumas semanas no Brasil, mas nos riscos de uma eventual mudança nos rumos da política econômica do governo. Trebat, que reuniu cerca de 50 investidores norte-americanos e europeus para conversar com o ministro do Planejamento, Guido Mantega, num hotel de Lima na noite de sábado, afirmou que o Citigroup continua apostando no Brasil, apesar dos ruídos políticos.
A aposta do executivo, porém, vem acompanhada de uma cautela explícita devido ao conturbado momento político do País. ''Essa situação preocupa no sentido em que os investidores gostaram do primeiro ano do governo Lula, mas, no fundo no fundo, se tratava apenas de um ano'', explicou, em conversa com alguns jornalistas logo depois do encontro com Mantega. ''Dada as pressões políticas, há sempre uma possibilidade de uma marcha à ré na política econômica'', alertou Trebat.
''Quando os investidores ouvem críticas ao governo ou quando escutam a opinião pública, inclusive o 'fogo amigo' pedir troca de ministros e mudanças no rumo econômico, é natural o aumento da preocupação.'' De acordo com o executivo, essa preocupação ficou evidente nos últimos dias, quando se viu um aumento no risco País. ''O que pesa mais não é a perspectiva de crescimento baixo, mas as eventuais mudanças no rumo da economia. O crescimento é reduzido, mas vem com certo equilíbrio, razão pela qual esse fator de expansão moderada não preocupa'', insistiu.
Indagado se Mantega os havia convencido sobre a manutenção da política econômica durante a reunião fechada, Trebat relatou que o ministro havia sido claro nesse aspecto, alem de ter garantido que o Brasil não só cresceria em 2004 como já havia começado uma expansão a partir do quarto trimestre do ano passado. ''Seria pessimismo demais não acreditar que o crescimento não alcançará um patamar de pelo menos de 3,5%'', disse o executivo do Citigroup.


