O ex-presidente do BC, Carlos Langoni, hoje presidente do Centro de Economia Mundial da Fundação Getúlio Vargas (FGV), afirmou que investidores estrangeiros podem participar da ajuda ao Brasil, por meio de compra de bônus. Integrante do Conselho Consultivo do Banco Mundial na América Latina, Langoni participou como observador da reunião do FMI, em Washington, que acabou ontem.
Ele informou que o auxílio ao Brasil poderia ser dividido entre US$ 15 bilhões do FMI, US$ 5 bilhões do Banco Mundial, US$ 5 bilhões de alguns dos sete países mais industrializados do mundo, mais um valor ainda não estimado em contribuição dos investidores. Langoni alertou que a ajuda só será definida depois de o governo apresentar seu plano de ajuste fiscal ao FMI.
No entender dele, que ontem participou de um seminário sobre telecomunicações promovido pelo Centro de Economia Mundial da FGV, mesmo sem ataque especulativo, a saída de capitais do Brasil até o fim do ano é ‘‘inexorável’’, porque o dinheiro vai ser usado para pagamento de juros e outros compromissos. Langoni antecipou que a duração da estagnação econômica - ele recusou-se a usar o termo ‘‘recessão’’ - vai durar de acordo com as medidas que o governo tomar para combater a crise.
Segundo Langoni, se o governo fizer um corte de despesas significativo e, com isso, conseguir ajuda externa, a estagnação vai ser curta. O período vai ser mais prolongado e ‘‘doloroso’’ se o governo optar por aumentar impostos, fizer poucos cortes e não conseguir o auxílio financeiro necessário, que seria entre US$ 25 e US$ 30 bilhões.
Já o ex-ministro da Fazenda, Mailson da Nóbrega, diz que as negociações entre o Brasil e o FMI ainda deverão terminar em um acordo tradicional, com um valor definido de direito de saque para o Brasil e com missão do Fundo acompanhando a economia brasileira. Em 1988, Maílson negociou um acordo do País com o FMI, envolvendo US$ 2 bilhões.
De acordo com a avaliação do ex-ministro, os pontos básicos do acordo já foram negociados e estão definidos no comunicado conjunto do Brasil e FMI. Ele refere-se à obtenção de um superávit primário no setor público consolidado da ordem de 2,5% a 3,0% do PIB em 1999, além da manutenção do regime cambial vigente, da não-imposição de qualquer controle sobre saída de capitais e pagamento integral da dívida externa e interna, além do esforço para aprovação das reformas estruturais. ‘‘Agora faltam os detalhes’’, ponderou Maílson. ‘‘E esta negociação deve resultar em acordo cujo ritual é igual ao dos outros já negociados pelo País’’, acrescentou.Otávio Magalhães/AE(Não é permitida a reprodução total ou parcial desta foto dentro ou fora do Brasil)SeminárioPenedo, da Embratel, Ferreira, da Telesp e Calos Langoni, da FGV durante debate sobre as telesAgência Estado

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