Investidores da Boi Gordo preparam ação judicial
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 29 de novembro de 2001
Marta Medeiros<br> De Maringá 
Investidores de várias regiões do Paraná preparam a primeira ação judicial contra o Grupo Fazendas Reunidas Boi Gordo S/A. Os investidores estão concentrados em uma associação provisória com sede em Maringá. São pelo menos 50 pessoas - o levantamento ainda não está concluído - que correm o risco de perder cerca de R$ 2 milhões em investimentos na compra de gado da Boi Gordo. No mês passado, a empresa pediu concordata alegando dívidas que ultrapassam R$ 799 milhões.
Conforme Shiguemassa Yamasaki, investidor de Maringá e um dos membros da associação provisória, um advogado está preparando a ação para impugnar os valores apresentados na concordata e também para habilitar os credores da Boi Gordo. A empresa apresentou o processo em Comodoro (MT). Yamasaki explica que os investidores não vão discutir a questão do foro porque uma liminar de um grupo de São Paulo (SP) já pede a transferência do caso para a capital paulista. ''Se o resultado final da liminar for favorável irá beneficiar todos os demais investidores'', diz Yamasaki.
Além de investidores de Maringá, a associação está reunindo vítimas de Londrina, Cascavel, Umuarama, entre outras cidades de várias regiões do Paraná. Como a concordata está em Comodoro, Yamasaki lembra que os custos e o acesso à Justiça prejudicam principalmente credores com investimentos inferiores a R$ 10 mil. ''Por isso, a união democratiza o acesso à Justiça e minimiza os custos'', completa. Através da associação, os investidores começaram a reunir dinheiro para pagar as despesas de viagem do advogado e as primeiras custas processuais.
Segundo ele, um representante da Boi Gordo insiste na proposta de troca do crédito por ações de uma outra empresa ligada ao Grupo. Yamasaki destaca que a principal orientação da associação é para que os investidores rejeitem a proposta, considerada absurda porque pode transformar o credor em um acionista devedor. ''O nosso crédito é líquido e certo, pois no processo de concordata a empresa é obrigada a pagar no primeiro ano pelo menos 40% da dívida'', lembra Yamasaki.
Serviço Informações sobre a associação de vítimas da Boi Gordo pelo fone (44) 223-4868 ou (44) 3026-3290 com Yamasaki ou Ivanildo.


