São Paulo - O engenheiro Nelson Nunes investe, há cerca de dez anos, em fundos de renda fixa e fundos DI. ‘‘Tenho perfil conservador, também tenho uma caderneta de poupança’’, diz ele. Mas, nos últimos dias, Nunes leu todos os jornais e sites sobre finanças que pôde: estava apreensivo ao ver que todos os investimentos perderam para a inflação no primeiro semestre.
  O Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) subiu 6,82% e superou a rentabilidade das principais opções de investimento dos brasileiros. ‘‘Essa semana vou ver o que ocorre no mercado. Ainda não mexi em dinheiro algum, mas talvez opte por um fundo de ações.’’ A idéia de Nunes é entrar na bolsa em um momento de baixa e esperar que ela volte a subir. Assim como o engenheiro, muitos brasileiros ficaram em dúvida sobre o que fazer com suas aplicações após a aceleração da inflação.
  Segundo os especialistas consultados pela reportagem, títulos do Tesouro federal e investimentos de renda fixa pós-fixados são as melhores opções. ‘‘Títulos do Tesouro indexados pela inflação mais fundos DI e outros pós-fixados são a composição mais interessante atualmente para uma carteira de investimentos’’, diz o consultor de finanças Marcos Crivelaro.
  Os títulos do programa Tesouro Direto atrelados a índices de preços (IGP-M e IPCA) garantiram aos investidores uma das melhores rentabilidades do mercado financeiro no primeiro semestre deste ano. Os títulos atrelados ao IPCA, as NTN-B, acumularam no primeiro semestre uma rentabilidade entre 3,11% e 7,49%. ‘‘Acredito que atualmente este é o investimento mais seguro’’, diz o professor de finanças da ESPM Marcio Gabrielli. ‘‘Afinal, ele é corrigido pela inflação, que é a grande preocupação atual.’’ Outra opção são as LFT, que têm rendimento semelhante aos fundos DI, porém sem a taxa de administração (apenas a corretagem no momento de compra e venda).
  Além dos títulos, os investidores devem procurar os fundos DI, que acompanham a taxa de juros. ‘‘Como a taxa de juros tende a subir quando a inflação sobe, esses fundos também devem ter um rendimento interessante’’, diz Gabrielli. O professor aconselha evitar fundos de renda fixa e fundos de ações.
  ‘‘Os primeiros podem não ter o rendimento esperado, e os segundos estão em um momento muito arriscado.’’ Quem já investiu nesses fundos, no entanto, não deve se desesperar. ‘‘A migração pode custar mais caro, então é melhor esperar um pouco.’’
  Crivelaro acredita que a bolsa possa estar passando por um momento de baixa que se reverterá. ‘‘Não creio que ela volte aos níveis recordes, mas pode ser a hora para quem quer entrar. Mas sabendo que é uma opção arriscada.’’
Poupança
  Para o analista, chegou o momento para que os investidores mais conservadores, que utilizam apenas a caderneta de poupança, busquem novas opções. ‘‘A poupança rendeu menos que a metade da inflação. Não digo para tirar todo o dinheiro, mas de 20% a 30% dele para experimentar em outros investimentos’’, diz Crivelaro. O rendimento foi tão pequeno que ele brinca: ‘‘Se for colocar na ponta do lápis, mais vale estocar alimentos com longo prazo de validade para revender do que deixar o dinheiro na poupança.’’

NÚMEROS
- 6,82% foi a alta do IGP-M no primeiro semestre, acima das principais opções de investimento existentes no mercado.

- 3,11% e 7,49% foram as rentabilidades mínima e máxima dos títulos atrelados ao IPCA no primeiro semestre

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