Investidores buscam opções de investimento
PUBLICAÇÃO
sábado, 05 de julho de 2008
Ana Paula Lacerda<BR>Agência Estado 
São Paulo - O engenheiro Nelson Nunes investe, há cerca de dez anos, em fundos de renda fixa e fundos DI. Tenho perfil conservador, também tenho uma caderneta de poupança, diz ele. Mas, nos últimos dias, Nunes leu todos os jornais e sites sobre finanças que pôde: estava apreensivo ao ver que todos os investimentos perderam para a inflação no primeiro semestre.
O Índice Geral de Preços Mercado (IGP-M) subiu 6,82% e superou a rentabilidade das principais opções de investimento dos brasileiros. Essa semana vou ver o que ocorre no mercado. Ainda não mexi em dinheiro algum, mas talvez opte por um fundo de ações. A idéia de Nunes é entrar na bolsa em um momento de baixa e esperar que ela volte a subir. Assim como o engenheiro, muitos brasileiros ficaram em dúvida sobre o que fazer com suas aplicações após a aceleração da inflação.
Segundo os especialistas consultados pela reportagem, títulos do Tesouro federal e investimentos de renda fixa pós-fixados são as melhores opções. Títulos do Tesouro indexados pela inflação mais fundos DI e outros pós-fixados são a composição mais interessante atualmente para uma carteira de investimentos, diz o consultor de finanças Marcos Crivelaro.
Os títulos do programa Tesouro Direto atrelados a índices de preços (IGP-M e IPCA) garantiram aos investidores uma das melhores rentabilidades do mercado financeiro no primeiro semestre deste ano. Os títulos atrelados ao IPCA, as NTN-B, acumularam no primeiro semestre uma rentabilidade entre 3,11% e 7,49%. Acredito que atualmente este é o investimento mais seguro, diz o professor de finanças da ESPM Marcio Gabrielli. Afinal, ele é corrigido pela inflação, que é a grande preocupação atual. Outra opção são as LFT, que têm rendimento semelhante aos fundos DI, porém sem a taxa de administração (apenas a corretagem no momento de compra e venda).
Além dos títulos, os investidores devem procurar os fundos DI, que acompanham a taxa de juros. Como a taxa de juros tende a subir quando a inflação sobe, esses fundos também devem ter um rendimento interessante, diz Gabrielli. O professor aconselha evitar fundos de renda fixa e fundos de ações.
Os primeiros podem não ter o rendimento esperado, e os segundos estão em um momento muito arriscado. Quem já investiu nesses fundos, no entanto, não deve se desesperar. A migração pode custar mais caro, então é melhor esperar um pouco.
Crivelaro acredita que a bolsa possa estar passando por um momento de baixa que se reverterá. Não creio que ela volte aos níveis recordes, mas pode ser a hora para quem quer entrar. Mas sabendo que é uma opção arriscada.
Poupança
Para o analista, chegou o momento para que os investidores mais conservadores, que utilizam apenas a caderneta de poupança, busquem novas opções. A poupança rendeu menos que a metade da inflação. Não digo para tirar todo o dinheiro, mas de 20% a 30% dele para experimentar em outros investimentos, diz Crivelaro. O rendimento foi tão pequeno que ele brinca: Se for colocar na ponta do lápis, mais vale estocar alimentos com longo prazo de validade para revender do que deixar o dinheiro na poupança.
NÚMEROS
- 6,82% foi a alta do IGP-M no primeiro semestre, acima das principais opções de investimento existentes no mercado.
- 3,11% e 7,49% foram as rentabilidades mínima e máxima dos títulos atrelados ao IPCA no primeiro semestre


