O ataque terrorista aos EUA atingiu quase um terço da indústria de fundos de investimentos no Brasil. Com a queda da Bolsa, nos dias posteriores ao ataque, os investidores dos fundos de ações, dos balanceados e dos multimercados (que aplicam em ações, câmbio e títulos de renda fixa) perderam um patrimônio de R$ 1,03 bilhão até o dia 17, segundo os últimos dados divulgados pela Anbid (Associação Nacional dos Bancos de Investimento). Hoje, essas três categorias somadas respondem por 30% dos recursos aplicados nos fundos de investimentos e têm o mesmo peso dos fundos DI para o mercado.
As perdas mais pesadas ocorreram nos fundos de ações que seguem o Ibovespa (Índice da Bolsa de Valores de São Paulo). Já aqueles fundos que dependem mais de uma ''inteligência do gestor'', como multimercados e fundos de ações que não seguem nenhum índice de mercado conseguiram conter um pouco os prejuízos dos investidores.
Na última sexta-feira, a Bolsa, que ameaçara alguma recuperação durante a semana, voltou a despencar diante do pânico instalado no mercado com o risco iminente de uma guerra. Em consequência, novas perdas deverão impactar as cotas dos fundos.
Apesar dessa sangria, os analistas insistem: não é hora de sair. ''Quem tem recursos em fundos de ações não deve resgatar agora, a menos que tenha uma necessidade urgente de caixa'', recomenda o consultor Victor Zaremba.
Ele lembra que investimentos em Bolsa e em fundos que aplicam em ações são para prazos de cinco a dez anos. ''Espere passar o pânico atual e as eleições do próximo ano. Daqui a dois anos o mercado poderá se recuperar.'' Mas pondere se o custo de carregar suas perdas atuais compensa. Com a taxa de juro básica da economia em 19% ao ano, é possível obter-se um ganho real (descontada a inflação) de 9% a 10% anuais em fundos de renda fixa. Será que não vale a pena migrar, ganhar com os juros neste ano e no próximo e voltar para a renda variável quando a maré baixa passar? ''Essa é uma aposta muito duvidosa'', diz Zaremba.
Isso porque ninguém é capaz de dizer qual é o fundo do poço da Bolsa e, muito menos, quando começará a curva de subida. ''Quem veio até aqui deve manter a aplicação. Já vimos grandes quedas em 1998, durante a crise da Rússia. Quem manteve suas aplicações recuperou tudo. Em 1999, a Bolsa subiu 150%, e muitos fundos de ações renderam até 200%'', lembra Valmir Celestino, gestor de renda variável da Safra Asset Management.
Por isso gestores de recursos de grandes bancos estão orientando seus clientes a manter as aplicações. ''Não é hora de pular de um lado para outro'', diz Márcio Verri, sócio-gerente da BankBoston Asset Management.
Quem tem dinheiro em fundos de ações e multimercados optou pela diversificação alocando aí apenas uma parte de seu patrimônio. ''Esses investidores podem suportar essas perdas e aguardar a recuperação'', diz Celestino.
Orientar os investidores sobre como conduzir suas economias sob esse bombardeio está cada vez mais difícil, dizem os analistas. ''À luz das atuais informações não é possível saber como ficará a economia mundial. Tudo vai depender da reação americana aos atentados e da contra-reação que virá'', diz Ronaldo Magalhães, diretor-executivo da Sul América Investimentos.
Em meio a tanta indefinição, como o investidor deve cuidar de suas economias? Victor Zaremba, que é autor de dois manuais de orientação financeira, já traçou sua estratégia pessoal. ''Comecei a comprar ações na penúltima semana'', afirma.

mockup