Investidores atentos à crise argentina
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sábado, 05 de janeiro de 2002
Agência Folha 
São Paulo - O adiamento da divulgação do pacote argentino, que colocará um fim na paridade cambial entre o peso e o dólar, levou o mercado a operar com cautela ontem.
Não se sabe ao certo qual será a reação da população e dos investidores internacionais às medidas. E, como há o fim de semana pela frente, a opção entre empresas e bancos foi a de não passar esses dois dias com uma posição vendida em dólares.
A precaução levou o dólar a subir, após dois dias seguidos de queda. A moeda norte-americana encerrou o dia a R$ 2,331, em alta de 1,61%. No ano, acumula valorização de 0,73%.
A avaliação foi que o dólar, que na quinta-feira atingiu seu menor valor desde maio de 2001, está com um preço atrativo para a compra. Além disso, o mercado continua em ritmo de feriado, com volume reduzido de negócios.
Alguns operadores afirmaram que houve uma certa procura por hedge (proteção) por parte das instituições, devido às incertezas argentinas.
Os C-Bonds, títulos da dívida brasileira, após permanecerem em alta nos
últimos dias, caíram 1,12% hoje e contribuíram para ampliar a dose de preocupação do mercado.
Na BM&F (Bolsa de Mercadorias & Futuros), as projeções para os juros tiveram pequena alta.
Analistas afirmam que, se houver uma reação negativa em relação ao novo pacote argentino, o Copom poderá perder o espaço para reduzir os juros já em janeiro. As incertezas internacionais levariam o Banco Central a aguardar por pelo menos mais um mês.
O número de negócios para contratos com vencimento em julho superou o de abril, até então os mais negociados.
Para o mês de julho, os juros projetados foram de 19,09%. Os outros contratos de prazo mais curtos permaneceram, como na quinta-feira, abaixo da Selic.
Na Bovespa, houve um movimento de realização de lucros durante boa parte do pregão, mas o Ibovespa, índice que reflete o comportamento das 57 ações mais negociadas na Bolsa paulista, conseguiu fechar com alta de 0,46%, em 14.331 pontos.
O volume negociado foi de R$ 545,397 milhões. Nos dois pregões anteriores, a Bolsa acumulara alta de cerca de 5%. .


